
Não obstante a nossa mente poder dizer-nos que mau é mau, e bom é bom, que nunca poderemos ser realmente tudo aquilo que sonhámos ser, se a nossa sombra fosse capaz de falar dir-nos-ia uma coisa bem diferente.
Dir-nos-ia que a nossa luz mais brilhante só pode brilhar quando aceitamos as nossas trevas.
Assegurrar-nos-ia da existência de sabedoria em todas as nossas feridas.
Mostrar-nos-ia que a vida é uma jornada mágica para fazer as pazes tanto com a nossa humanidade como com a nossa divindade.
A nossa sombra dir-nos ia que merecemos melhor, que somos importantes, que somos mais do alguma vez sonhámos ser possível e que há luz no fundo do túnel.
Aceitando a nossa sombra, descobrimos que estamos a viver um plano divino, um plano tão importante e tão vital para a nossa evolução pessoal quanto o é para a evolução da humanidade.
Tal como a flor de lótus que nasce da lama, devemos honrar as zonas mais obscuras de nós e as experiências mais dolorosas da nossa vida, pois elas são aquilo que nos permite dar luz ao nosso "eu" mais maravilhoso.
Precisamos do nosso passado sujo e lamacento, do lodo da nossa vida humana- da combinação de todas as mágoas, feridas, perdas e desejos não realizados, misturados com todas as alegrias, sucessos e bêncãos-, para obter a sabedoria, a perspectiva e a motivação necessárias para entrar na mais magnífica expressão de nós próprios.
É esta a dádiva da sombra.
( Debbie Ford- A Luz e a Sombra )