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sábado, 15 de outubro de 2011

UM DIA PARA TI




Hoje decidi dedicar-te o dia.
Decidi largar o machado, e oferecer-me um pouco de paz.
Dei descanso aos meus olhos e tranquei o caudal de lágrimas.
Proibi as perguntas e as preocupações com o futuro, e silenciei a minha mente.
Hoje, decidi abrir-te as portas do meu coração dorido, e pude sentir-te enfim...
Estive atenta à tua presença, e pude ver-te em tudo.
Mergulhei no teu mar, a príncipio com medo, porque hoje o teu mar estava bravo.
Como bravas têm estado as minhas emoções, tão cheias de medo...
E como soube bem mergulhar nessas ondas, ver essa espuma linda e tão branca, tão pura...
Saí, para me aquecer no teu sol.
Esse sol tão lindo e tão aconchegante...
Esse sol que eu persigo, sempre que a sombra me obriga a fazer face a todas as coisas para as quais eu recuso olhar.
E assim entregue, e exposta ao teu calor, enterrei fundo as mãos na areia.
Para te sentir comigo, presente, para me sentir segura, com raízes.
Para que soubesses, que sim, cada grão de areia teu, conta, para mim...
E de repente, a praia, que escolhi para ir ao teu encontro, ficou completamente vazia.
Só nós dois...
E então pude fechar os olhos, ainda que hesitante, não fosse alguém aparecer de repente, e ver-me assim ausente, ainda que tão presente...
E ali fiquei a ouvir o som das ondas a bater nas rochas, sem que elas pudessem fazer nada para impedir tal invasão.
Conformadas de que o mar é senhor, e que elas terão de se ir moldando à sua vontade.
Transformando-se uma dia em pedras, areia, pó...
Como este corpo, que me transporta, e que um dia irá desaparecer, consoante a vontade da vida.
Percebi que somos os únicos na natureza a resistir.
Até mesmo um balde , que um dia serviu para fazer castelos de areia, boiava, sem se importar, umas vezes, para cima outras para baixo.
Resolvi intervir, salvá-lo do seu destino de fundo do mar.
Fui buscá-lo, pensando fazer uma surpresa à criança que lá for amanhã.
Imaginei o seu sorriso, e também os castelos que ainda poderá construir.
A pouco e pouco, a maré foi subindo, e a sombra foi tomando o lugar do sol.
Olhei longamente para aquele lugar mágico, e agradeci por me ter recebido.
Chegando a casa resolvi encher um pouco a banheira, e deitei-me de olhos fechados.
Fui invadida por uma paz profunda.
Com a cabeça mergulhada em silêncio, fiquei ali a ouvir as batidas do meu coração.
E respirei fundo.Tão fundo, tão profundamente...
E senti-me tão protegida outra vez.
Como quando estava no útero da minha mãe.Certamente...
Senti-me no nada.Tão cheia de tudo.
Nua, sem medo, sem vergonha, sem frio, sem solidão, sem divisões.
Ali, comigo.Contigo...
UNA.
Vesti-me, e voltei para um passeio na praia, outra praia.
Com as minhas amigas de todas as horas, as únicas testemunhas das minhas batalhas contra o fracasso.
Duas caudinhas a abanar, duas antenas fidedignas de amor incondicional.
E voltei para a rua diferente.Tão cheia do teu amor...
Olhei para cada pessoa com profundo respeito, com gratidão, senti-me ligada a todas elas.
E em silêncio disse a cada uma na minha mente, eu amo-te...
E sei que é assim que tu sentes, e nos vês a todos.
E quero sentir-me assim todos os dias.
Quero amar, como tu...
Depois de ver o pôr do sol que fizeste para nós, regressei a casa.
E fui reunir fotografias de tanta beleza que me tens permitido ver, todos os dias.
E fiz um albúm intitulado, " O amor está em todo o lado"
Há muito que eu o queria fazer, e resolvi que não ia adiar mais.
Tinha de ser hoje, o dia que dediquei para ti...
E é também a ti, que resolvi dedicar estas palavras, dedicar-te todo este amor.
Que sinto, por ti...
Daqui a pouco vou olhar para o céu, e ver que noite pintaste hoje para nós.
Vou mergulhar outra vez no silêncio e observar-te nas estrelas.
E depois de receber a tua luz, vou olhar para dentro do meu céu.
E pode ser que hoje, pela primeira vez, eu veja a tua luz dentro de mim.
E que perceba enfim, que eu também sou uma estrela, um grão de areia, uma onda, um raio de sol, a sombra, o silêncio, luz...
E se me puderes conceder um só desejo, eu peço-te, estrela cadente, que transformes, o eu, e o tu, num definitivo nós.
Porque eu nunca mais me quero sentir separada, e nem dividida.
Eu quero transformar todos os dias da vida que me restam, em dias "nossos".
De todos, de tudo.




Por ti, por mim, por todos nós...




Cláudia.


2 comentários:

Amaral disse...

Obrigado, Cláudia!
Por tudo!... Por isto, que me proporcionaste durante a leitura... por aquilo, que ignoro mas sei que és... pela energia que distribues sem quereres nada em troca....
Este hino de amor será uma benção para quem tiver a sorte de o ler.
É uma estrada que se abre a cada frase.
É um abraço que nos acolhe e nos enche.
De paz, de alegria, de bem-estar, de uma esperança que tantas vezes é dúvida dentro de nós.
Depois de ler duas, três vezes... só nos resta fechar os olhos, naturalmente, e receber sem qualquer resistência esta comunhão com Aquilo a Quem pertencemos.
Por que partilhaste esta doce dedicatória, não resisti a seguir os teus passos e a sentir os teus sentimentos.
Não calculas como foi bom!...

Cláudia disse...

Amaral, nem tenho palavras para descrever, o bem que me fizeram as tuas, tão doces palavras...Nem sabes o alento que é para mim, ser recebida por almas como tu, que entendem, que sabem, que já tocaram na minha alma,na alma do universo, através do sentimento.Da mesma forma que te sentiste ligado a mim, assim, eu me senti ligada a ti, e é ISSO que eu gostaria que todos vivessemos.Sempre...Acredita que o bem que pudeste sentir, chegou aqui, em dobro.E por isso te agradeço.Muito!Tanto...