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segunda-feira, 30 de abril de 2007

A MENTE


A mente do homem pode alcançar altos níveis de discernimento espiritual, e esferas correspondentes de divindade de valores, porque ela não é totalmente material. Há um núcleo espiritual na mente do homem- O Ajustador , de presença divina. Há três evidências distintas de que esse espírito reside na mente humana:


1- A comunhão humanitária- o amor. A mente puramente animal pode ser gregária por autoprotecção, mas apenas o intelecto residido pelo espírito é altruista de um modo não egoísta e ama incondicionalmente.


2- A interpretação do universo- a sabedoria. Apenas a mente residida pelo espírito pode compreender que o universo é amigável com o indivíduo.


3- A avaliação espiritual da vida- a adoração. Apenas o homem residido pelo espírito pode compreender-realizar a presença divina e buscar atingir uma experiência mais plena a partir desse gosto antecipado de divindade.


A mente humana não cria valores reais; a experiência humana não gera o discernimento universal. Quanto a esse discernimento, o reconhecimento dos valores morais e o discernimento dos significados espirituais, tudo o que a mente pode fazer é descobrir, reconhecer, interpretar e escolher.


Os valores morais do universo tornam-se uma posse intelectual, pelo exercício dos três julgamentos básicos, ou escolhas, da mente mortal:


1. O autojulgamento- a escolha moral.

2. O julgamento social- a escolha ética.

3. O julgamento de Deus- a escolha religiosa.


Assim parece que todo o progresso é efectuado por uma técnica conjunta de evolução revelacional.


Se um amante divino não vivesse no homem, ele não poderia amar generosa e espiritualmente. Se um intérprete não vivesse na mente do homem, ele não poderia verdadeiramente compenetrar-se da unidade do universo. Se um bom avaliador não residisse na mente do homem, ele possivelmente não poderia apreciar os valores morais e reconhecer os significados espirituais. E esse amante provém da fonte mesma do amor infinito; aquele intérprete é uma parte da Unidade Universal; e o avaliador é filho do centro e fonte de todos os valores absolutos da realidade divina eterna.
( Retirado do livro de Urântia )

domingo, 29 de abril de 2007

ARMADURA


O guerreiro da luz, quando aprende a manejar a sua espada, descobre que o seu equipamento precisa de estar completo - e isso inclui uma armadura.


Ele sai em busca da sua armadura, e escuta a proposta de vários vendedores.

" Usa a couraça da solidão " diz um.

" Usa o escudo do cinismo " responde outro.

" A melhor armadura é não se envolver em nada ", afirma um terceiro.


O guerreiro, porém, não lhes dá ouvidos.

Com serenidade, dirige-se ao seu lugar sagrado

e veste o manto indestrutível da fé.


A fé apara todos os golpes.A fé transforma o veneno em água cristalina...


( Paulo Coelho- Manual do Guerreiro da luz )

segunda-feira, 23 de abril de 2007

CANÇÃO DA ALMA




Nas profundezas da minha alma há
Uma canção sem palavras, uma canção que vive
Na canção do meu coração.
Ela recusa-se a misturar-se com tinta no pergaminho ;
Ela envolve a minha afeição
Num manto transparente e flui,
Mas não nos meus lábios.
Como posso eu suspirá-la?
Temo que ela se possa misturar com o éter terreno;
A quem posso eu cantá-la?
Ela habita na casa da minha alma,
Com medo dos ouvidos severos.
Quando olho para os meus olhos interiores
Eu vejo a sombra da sua sombra;
Quando toco na ponta dos meus dedos
Eu sinto s suas vibrações.
As escrituras das minhas mãos estão conscientes da sua
Presença tal como um lago deve reflectir
As estrelas cintilantes; as minhas lágrimas
Revelam-na, tal como as gotas brilhantes do orvalho
Revelam o segredo duma rosa que murcha.


É uma canção composta pela contemplação,
E publicada pelo silêncio,
E afastada pelo clamor,
E dobrada pela verdade,
E repetida pelos sonhos,
E compreendida pelo amor,
E escondida pelo despertar,
E cantada pela alma.


É a canção do amor;
Que Caim ou Esau a poderia cantar?
É mais perfumada que o jasmim:
Que voz a poderia escravizar?
É dirigida ao coração, como o segredo de uma virgem;
Que cordão a poderia estremecer?
Quem se atreve a unir o rugido do mar
Com o canto do rouxinol?
Quem se atreve a comparar a tempestade gritante
Com o suspiro de uma criança?
Quem se atreve a dizer alto as palavras
Que deveriam ser ditas pelo coração?
Que humano se atreve a cantar
A canção de Deus?

( Kahlil Gibran- Lágrimas e risos)

domingo, 22 de abril de 2007

CONTACTO


É um erro pensar que alguma vez ultrapassaremos a necessidade primitiva de tocar e ser tocados, de respirar a fragrância e de ouvir os sons da intimidade. Os metafísicos bem podem argumentar que somos anjos caídos, almas imortais, ou espíritos demasiado puros para nos deixarmos contaminar pela vil matéria; os correios bem podem prometer que nos manterão em contacto com os nossos, seja qual for a distância - a experiência constante diz-nos que somos criaturas de carne e osso, trazidas e levadas pelo tempo, a quem nesta breve passagem nada consola tanto como a textura duma pele contra a nossa.


Somos espíritos, mas espíritos encarnados, não somos arquétipos platónicos nem extraterrestres em férias neste planeta; o nosso modo próprio de amar envolve sempre o corpo e os sentimentos. E essa forma de amor implica sempre algo de inocente, sensual e infantil.

Numa região distante do nosso ( sempre presente ) passado, continuamos a ser filhos recém-nascidos de pais omnipotentes, que podiam e deviam ( embora muitas vezes não o tenham feito) apertar-nos num abraço eterno. Por isso os grandes exploradores do espírito nos recordam que, se não recuperarmos a bênção do contacto, não entraremos no reino do amor...



( Sam Keen- amar e ser amado )

quarta-feira, 18 de abril de 2007

SOLIDÃO E ISOLAMENTO


Não podemos cultivar a solidão que faz desabrochar o amor-próprio, nem amar os outros sem egoísmo, enquanto não aceitarmos que estar só, é uma das fases da vida. O que torna possível a carícia leve da mão do amor, sem a tornar numa garra, é saber que estar só faz parte do território . É um peso doce. Por vezes, estar só parece-nos uma prova de fracasso pessoal ( se eu fosse melhor a amar, se eu fosse mais extrovertido, não me sentiria tão só...). Mas, se aprofundarmos, veremos que estar só é o preço da autoconsciência e da criatividade. Tenho de voltar uma e outra vez ao meu santuário para poder escutar as pequenas vozes íntimas, tão tímidas que se calam na presença de outra pessoa, dos desejos e inspirações sagrados e profanos que se movem sob a superfície da minha personagem.


Só nessa altura o rosto da solidão muda e reconheço nela a companheira do amor...
( Amar e ser amado- Sam Keen )