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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A TEMPESTADE


A vida oscila como um pêndulo, entre águas tranquilas e tempestades.
E se eu me permito boiar quanto tudo é calmo,
Deixando-me ir ao sabor da corrente,
Olhando o céu, agradecendo por tudo, acreditando que será assim para sempre,
Desejando que o sol não pare de brilhar, que nuvem alguma venha ensombrar o meu passeio,
E que nada me venha retirar do meu conforto...
O mesmo não se passa quando o pêndulo da vida, que tem o seu próprio ritmo,
E que não pode ficar parado, se começa a deslocar no sentido oposto.
E eu sei que é assim.
Mas mal começo a sentir a ondulação, eu fujo.
De medo.
Consigo pressentir ao longe, as ondas gigantes que se aproximam sem dó nem piedade.
E sei que são para mim.
Sinto no ar o sopro do vento, anunciando com assobios, avisos de tempestade.
E sei que fala para mim.
Olho para o céu, agora cinzento, povoado de nuvens,
E sei que terei de enfrentar a trovoada.
E mesmo sabendo de cor, que é a vida que manda,
Eu nado, com todas as minhas forças, contra a maré.
Tento o impossível...
E quanto mais nado, mais me afundo.
E quanto mais luto, mais me canso.
Quanto mais tento reverter o sentido do pêndulo, mais me encontro no seu extremo oposto.
Vou buscar as armas, chamo os aliados, reúno os exércitos.
E resisto, resisto, resisto, até não poder mais...
E esqueço-me por momentos, que a minha batalha é inútil.
Que nunca terei forças para mudar o curso da vida.
Porque a vida é a dona do meu destino.
Só ela sabe o que é melhor para mim.
Só ela sabe qual o meu porto.
Só ela sabe que o sol, é tão necessário para a minha viagem, quanto as tempestades.
Só ela conhece a força oculta do outro lado das nuvens.
E eu, que já naveguei tantas vezes por entre mares revoltos,
Continuo com medo de me afogar...
Mas a vida que me acompanha desde, e para todo o sempre,
Que me conhece, como ninguém...
Não me dá tréguas, e avança, com todas as forças na minha direcção.
Lançando sobre mim, ondas gigantescas, ventos implacavéis, e trovões ensurdecedores.
Olhando para trás, sei que não posso recuar.
Por mais que procure, não encontro bóias algumas, nem um tronco à deriva sequer.
Levanto os olhos para o céu, em busca de um farol, uma estrela guia, de luz.
E...nada.
Desta vez, a tempestade terá de ser atravessada sem quaisquer mapas ou guias.
Porque a vida quer.
Porque a vida sabe, que eu sei nadar.
Não importando a dimensão da tempestade, ou a velocidade do vento,
Ela sabe, que eu vou sobreviver.
A vida decidiu fazer-me passar por todas as oscilações do pêndulo,
Por forma a que eu possa perceber, que é no meio,
Exactamente no meio,
Que eu vou encontrar, o melhor que a vida tem para me dar.
Porque a vida, deu-me umas asas enormes.
E sabe...
Que tanto eu, como tu, sabemos ...
Voar...

Cláudia.

2 comentários:

Amaral disse...

Somos todos assim. Somos todos iguais. Alguns de nós pressentem conscientemente a verdade da Vida. Muitos outros fazem-no inconscientemente.
Mas, na verdade, é a Vida que manda e comanda. És Tu também, como parcela da Vida. As oscilações do pêndulo são apenas caminhos entreabertos que vamos escolhendo ao sabor das necessidades do viver.
Não coloques travões. Deixa que o ar esvoace dentro e fora de ti, quando corres pela praia, ao som das vozes dos anjos que te acompanham.
Não temas.
Dúvidas e frustrações, quem as não tem?... Elas fazem parte da combinações das cores de uma tela. Nunca a tua batalha será inútil. Porque sabes voar, porque sabes sentir o além, porque sabes da força da ilusão.
Feliz daquele que aceita as tempestades como um aconchego para o seu viver.
Feliz daquele que olha para o "nada" como uma benção, um farol, uma luz.
O impossível nasce e morre na imaginação de cada um.
Se sentes que o pêndulo oscilou para o lado que não querias... lembra, apenas, que isso aconteceu para valorizares ainda mais o outro lado.
Sabes O que És. Apenas o esqueceste. Por isso, tens os teus anjos que procuram relembrar-te.

Cláudia disse...

E tu, Amaral és certamente um anjo que a vida enviou para que eu nunca me esqueça que somos um só coração.A tua presença aqui é recebida como uma dádiva.Obrigada...