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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MOMENTOS


Há momentos em que sou extremamente feliz.
Momento mágicos, íntimos e profundos...
Gosto de entrar nas livrarias, de sentir o cheiro do papel.
De percorrer com o olhar as prateleiras, à procura do tesouro que irei levar para casa, desta vez.
Sinto-os como seres vivos, e fico à espera que me escolham.
Porque como seres vivos que são, cheios de sabedoria, eles sabem sempre o que preciso ouvir.
Naquele momento...
Abrem-se nas minhas mãos, precisamente na página que contém a frase com as respostas para as perguntas, que tenho vindo a fazer.
Sentem, como se abre o meu coração, invadido pelo entusiasmo de levar para casa um novo amigo.
Ambos sabemos que fazemos parte, um do outro, e que partilharemos momentos só nossos.
E que um só existe, por causa do outro.
Uma vez a escolha feita, gosto de lhes acariciar a capa, antes de os abrir.
Para que saibam que são queridos, como são os meus amigos.
Fico preenchida por uma imensa gratidão, por saber que alguém, do outro lado do mundo, teve prazer, em dar-me prazer.
Grata pela entrega,pela partilha de palavras escritas, nas quais eu me deleito.
Momentos mágicos, nos quais eu paro tudo, e apenas sou.
Se forem livros de histórias, eu mergulho de cabeça, e deixo-me embalar.
Leio de fio a pavio, envolvo-me, emociono-me.
Vivo cada parêntese, cada vírgula...
Arregalo os olhos perante cada ponto de exclamação.
Franzo o sobrolho, perante cada ponto de interrogação.
No fim de cada capítulo, hesito entre fazer uma pausa ou continuar.
Por vezes, abrando o ritmo para prolongar o prazer.
Outras, deixo-me levar pelo entusiasmo, e mal paro para respirar.
Esqueço-me do tempo, da vida lá fora.
Deixo que o livro tome conta de mim.
Entregue ao momento.
Segurando o meu novo amigo nas mãos com todo o carinho, passamos da sala até à minha cama, com toda a intimidade do mundo.
E seguimos juntos pela noite dentro, olhos, nas letras, de luzes apontadas para baixo.
Se forem livros de mestres, impulsionadores de almas, fazedores de borboletas,
Eu dedico-lhes atenção redobrada.
Repito todo o ritual de amor, de gratidão.
Mas desta vez, deixo de ser apenas espectadora, e interajo com eles.
Leio-os sempre, munida de papel e caneta.
De cada vez que a emoção aflora, sei que aquele parágrafo foi reconhecido pela minha alma.
São lembretes de casa, de suma importância.
Por isso sublinho-os, tomo notas.
Leio e releio, vezes sem conta, por forma a absorver cada réstia daquela luz.
Por vezes a luz é tão forte, que sou obrigada a fechar os olhos.
Para poder sentir, a preciosidade do momento.
Nesses momentos, lágrimas de gratidão caem por cima das páginas do meu amigo.
Que em silêncio, sem se importar, as absorve .
Noutra alturas, é-me revelada tamanha beleza, que dou por mim a sorrir.
Encantada...
Como agora.
Neste preciso momento em que escrevo.
Sorrio por também eu poder partilhar, estes momentos, em que sou extremamente feliz.Verificar ortografia
Após cada encontro com os meus amigos de papel, termino como comecei.
Pousados sobre o meu colo, acaricio-lhes a capa, e agradeço à vida pelo nosso encontro.
Encaixo-os nas prateleiras, junto a outros amigos, e sempre que bate a saudade,
Sempre que recordo como me ajudaram em tantos momentos, vou buscá-los.
Tal como no primeiro encontro,volto a envolvê-los de carícias,
Mas desta vez, sinto um arrepio a percorrer todo o meu ser.
Como se fosse um reconhecimento por parte do meu amigo.


Que sabe, que iremos partilhar novamente


Maravilhosos momentos...


Cláudia

3 comentários:

BlueShell disse...

Uma maravilha de texto...devia ser lido por todos...mas só aqueles que t~em prazer na leitura escrevem assim, maravilhosamente.
Te agradeço por estes breves momentos em que, também eu, me deixei envolver nas tuas palavras...

Cláudia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cláudia disse...

P/BlueShell-Eu é que agradeço a tua visita por deixares aqui, o teu olhar e o teu sentir tão carinhosos...