
Nem todas as pessoas levam uma vida de igual felicidade no mundo celeste, pois a felicidade que ali se experimenta, depende da nossa capacidade de sermos felizes. Ninguém é mais feliz do que pode.
Antes de tudo, encontra-se no mundo celeste a satisfação perfeita de todos os amores e afectos que sentimos na terra. Jamais deixarão de realizar-se, nos mundos celestes, os amores que a morte ceifou e os afectos que não chegaram a florescer. O amor na terra é um fracasso, mas no céu é um triunfo.
Com frequência nos fazem as seguintes perguntas: — Reconhecer-nos-e-mos no céu? Encontraremos ali os seres queridos? Poderá, porventura, existir o céu, se não encontrarmos nele os que amamos, ou se algum dos seres queridos não puder entrar ali? O céu do amor deve completar-se.
Tal é o que temos descoberto. Nunca perderemos os seres amados. Pensai nisto. Não ameis apenas os corpos, mas também os espíritos imortais dos que adorais. A mãe quer a seu filho; porém ele vai mudando. O corpo do filho, quando menino, difere muito daquele que possui quando homem, porém sempre será o filho dessa mãe que ama não o corpo, mas, a Alma que está no filho, embora queira também seu corpo, porque é o de seu filho.
No mundo celeste seu filho estará sempre junto dela.
O mesmo sucede com todos os laços de amor que possam parecer rompidos na terra.
Tendes algum amigo que se inimizou convosco por não compreender-vos? Tendes um amigo que vos esqueceu ou correspondeu ao vosso afecto com frieza, e à vossa ajuda com ingratidão? Não vos preocupeis.
Continuai estimando-o, embora mesmo vos odeie. Amai-o incessantemente, apesar de vos haver esquecido. Porque, no mundo celeste, voltareis a ter a sua amizade. Não rompais o laço de amor que a ele vos une, e que vos atrairá no mundo celeste.
O que sabemos da vida de além-túmulo, não é quimera de gente ociosa, nem divertido e inútil produto de nossa imaginação.
Aqui, na face da Terra preparamos o que se há de utilizar e gozar nos outros mundos. Quando compreendermos isto, ou começarmos a compreendê-lo, mudaremos a orientação de nossas vidas e nos prepararemos para a longa existência celeste, pois a vida terrena é como a descida de uma gaivota para o mar, no qual pousa breves momentos tão somente para apresar o alimento de que necessita.
Nós também, filhos do céu e não da terra, descemos da vida celeste à terrena, para levarmos à nossa morada superior as experiências necessárias. A vida na terra serve para dar-nos as experiências necessárias, que transformaremos em carácter e poder no céu; serve, portanto, para reunir as sementes que hão de amadurecer ali; serve para fazer possível aqui, o esplendor e a glória da vida celeste. E quando se sabe isto, não se deixa que transcorram os dias sem preparar sementes para a grande colheita que há de amadurecer no céu.
(Annie Besant)