Número total de visualizações de página

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

AMIZADE


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,

eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto a minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não lhes posso dizer o quanto gosto deles.

Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluidos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,

embora não o declare e não os procure.

E ás vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilibrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornam alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece, é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meu amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os...


Vinícius de Moraes


Recebi este texto da minha amiga Oriana, em forma de presente, porque está de partida para a Suiça.As palavras que recebi tocaram profundamente o meu coração, senti-me honrada por receber tão nobre homenagem.Absorvi cada palavra,concordei com todos os sentimentos que aqui foram descritos.Acima de tudo, achei lindo demais para guardar só para mim, e por isso decidi partilhar com todos vocês meus amados amigos.Obrigada por existirem e por espelharem o amor que habita na vossa essência, abrindo assim as portas do amor que todos somos.Para ti, Oriana querida, desejo que encontres tudo o que o teu coração pede, sabendo eu á partida, que a tua Matilde, será o farol que te abrirá as portas, e eu, o abrigo onde poderás sempre voltar...

4 comentários:

Amaral disse...

Numa vida em sociedade, nos dias de hoje, a amizade é um bem tão precioso como alimento para a boca.
Já tinha lido Vinicius. E concordo.

Mas... os terráqueos são mesmo assim.
É claro que, só neste planeta, pode haver um sentimento mais nobre que o amor. Porque o terráqueo tem o condão de fazer despontar rivalidade, ciúme, antipatia, discórdia.

Vinicius tem razão. A gente não faz amigos, como se fosse omolete. A gente reconhece os amigos!
Com eles, a vida tem mais encanto, enquanto se partilha com eles desse encanto.

Mas volto um pouco à tona: o terráqueo fez do amor uma amálgama de sentimentos, e constrói castelos de sensações a seu bel-prazer. Talvez o ajude a adornar caminhos vazios e talvez proporcione "riquezas" para encher o seu bornal.
Afinal... uma longa estrada, vista de cima, pode constituir um espectáculo deslumbrante, onde apetece descer para a pisar, nem que seja por um instante ilusório...

Um Momento disse...

Adorei o teu post
Esta lindo
Um beijinho :)))

(*)

tb disse...

Já o tinha lido por me terem ofertado também.
Quando descobrirmos o verdadeiro amor ele se tornará o cordão de luz a que agora chamam amizade...
Beijinho

Cláudia disse...

p/amaral- Tens razão amigo! Só mesmo um terráqueo para fazer despontar sentimentos que parecem estar ao contrário.Tal como vinicius, eu morreria sem meus amigos, mas sobreviveria sem meus amores.No entanto, tenho a sorte de ter mantido meus amores como grandes amigos e por isso nunca fiquei a perder.As amizades que fui construindo ao longo da vida, são absolutamente essenciais á minha existência, e por incrivel que pareça, algumas foram florescendo com familiares meus.No final não vejo grande diferença entre o amor e a amizade, pois amo com todo o coração todos os meus amigos.

p/um momento-E que lindo o teu comentário! És um amor! Muito obrigada...beijo doce para ti.

p/tb-Concordo contigo.O verdadeiro amor, só pode florescer com as permissas existentes dentro dos valores da amizade.beijinho grande...