Número total de visualizações de página

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CRIANÇA INTERIOR


"Não te deixes enganar por mim,
Não te deixes enganar pela cara que eu ponho,
Porque eu uso uma máscara, mil máscaras, máscaras que tenho medo de tirar,
E nenhuma delas sou eu.
O fingimento é uma arte que está enraizada em mim,
Mas não te deixes enganar.
Por amor de Deus não te deixes enganar."

"Posso dar a impressão que sou seguro,
Que está tudo tranquilo e sereno dentro e fora de mim,
Que a confiança é o meu nome e a frieza o meu jogo,
Que está tudo sob controle dentro de mim, está tudo calmo.
E não preciso de ninguém."

"Mas não acreditem em mim.
À primeira vista a minha cara pode parecer suave,
Mas a aparência é a minha mascara,
Inconstante e enganadora está sempre a esconder-se.
Debaixo da aparência não há satisfação.
Debaixo da aparência existe a confusão, medo e solidão
Mas eu escondo isto. Não quero que ninguém o saiba."

"Entro em pânico com a ideia dos meus medos e fraquezas serem expostos.
È por isso que criei inquietantemente uma mascara para me esconder,
Uma fachada sofisticadamente despreocupada,
Para me ajudar a fingir,
Para me proteger daquele olhar de relance de quem verdadeiramente me vê.
Mas é esse olhar precisamente a minha salvação."

"È a minha única esperança, eu sei isso.
Isto é, se for seguido pela a aceitação,
se for seguido pelo amor.
È a única coisa que me pode libertar de mim mesmo,
Das paredes da prisão que eu próprio construi,
Das barreiras que tão minuciosamente ergui,
È a única coisa que me assegurará,
Daquilo que não posso assegurar a mim próprio;
- “Que realmente eu tenho valor...”
Mas eu não te digo isto. Não me atrevo . Tenho medo.
Tenho medo que o desvendar do teu olhar não seja seguido pela aceitação,
Que não seja seguido pelo amor."

"Tenho medo que me menosprezes, que rias,
E o teu riso irá destruir-me.
Tenho medo que bem no fundo eu não seja nada, que realmente não seja boa pessoa
E tenho medo que tu vejas isto e me rejeites.
Por isso, jogo o meu jogo, o meu desesperado jogo do “faz de conta”,
Com uma fachada de segurança por fora
e uma criança a tremer por dentro."

"Começa então o sumptuoso mas vazio desfile de mascaras,
E a minha vida torna-se numa farsa.
Mantenho contigo um dialogo inútil num tom de conversa superficial.
Eu digo-te tudo, que na realidade nada é,
e nada acerca daquilo que tem significado,
aquilo que está a chorar dentro de mim.
Por isso, quando eu estiver a ir pelo mesmo “caminho”,
Não te deixes enganar por aquilo que estou a dizer,
Por favor, tenta ouvir aquilo que eu não digo,
Aquilo, que eu gostaria de ser capaz de dizer,
Aquilo que por necessidade, gostava de poder falar,
Mas que não sou capaz de dizer."

"Eu não gosto de me esconder,
Eu não gosto de fazer jogos falsos e superficiais.
Eu quero parar de jogar esses jogos.
Eu quero ser genuíno, expontâneo e ser eu mesmo,
Mas tu tens que me ajudar.
Tens que ficar de mão estendida à minha espera,
Mesmo que isso pareça a ultima coisa que eu queira."

"Só tu podes tirar da minha visão a fixação vazia do estado “vegetal”.
Só tu me podes “acordar” para a viver a vida.
Cada vez que tu és carinhoso, gentil e encorajador,
Cada vez que tentas compreender, porque realmente te importas,
No meu coração começam a crescer “asas”,
Umas “asas” muito pequenas,
Umas “asas” muito trémulas,
Mas são “asas” !"

"Com o teu poder de tocares os meus sentimentos,
Podes dar um “sopro” de vida,
Eu quero que tu saibas isso.
Eu quero que saibas o quanto és importante para mim,
E como podes ser um Criador – um Criador à imagem de Deus –
De uma pessoa que sou eu,
Se quiseres.
Tu sozinho podes derrubar a barreira atrás da qual eu tremo,
Tu sozinho podes tirar as mascaras,
Tu sozinho podes libertar-me do meu mundo sombrio de pânico e incerteza,
Da minha “prisão” solitária,
Se assim o decidires.
Por favor, decide que sim. Não me deixes passar “ao lado.”
Não vai ser fácil para ti.
Uma forte convicção de que não tenho valor construiu fortes muralhas.
Quanto mais perto tu te chegares a mim,
Mais cegamente poderei ripostar.
É irracional, apesar do que os livros dizem sobre o ser humano,
Muitas vezes eu sou irracional.
Eu luto para manter, aquelas mesmas coisas que choro por largar.
Mas dizem-me que o amor é mais forte do que ”fortes muralhas”,
E aí reside a minha esperança."

"Por favor, tenta vencer essas barreiras,
Com mãos firmes,
Mas com mãos gentis,
Porque a criança que sou, é muito sensível.
Quem sou eu, tentas tu imaginar,
Sou alguém que conheces muito bem,
Porque sou todos os homens que já encontraste,
E todas as mulheres que já conheceste."

( Charles C. Finn - no livro Curar a Criança Interior de Charles Whitfield )

2 comentários:

Amaral disse...

Este extracto que tão bem escolheste toca fundo nas pessoas que tiverem o previlégio de o ler.
É suave, é suplicante, é mágico, é amoroso.
Em cada encarnação, debatemos sempre com um problema genuino: o de nos lembrarmos quem somos realmente.
Por vezes, temos ao lado uma alma evoluída que "aqui" veio com determinado propósito... e apenas precisa que "alguém" a faça lembrar o Ser de Luz que realmente é... e que, logo, logo, o seu esplendor se vai manifestar.
Somente a criança que há em nós tem essa "facilidade" de reconhecer que a ilusão nos envolve e nos "tapa a visão", impedindo-nos de nos libertar completamente.
A "criança interior", que aqui lemos com tanta ternura, faz-nos parar e faz-nos querer abraçar "alguém", darmos a mão, comunicarmos um carinho...
A nossa "criança" procura um sorriso, busca o Amigo para se aninhar no seu colo e sossegar tranquilamente, para que possa constatar que, afinal, é tão grande e tão forte como a voz eterna da mãe natureza...

Cláudia disse...

p/Amaral-Foi tudo isso que senti quando li este doce texto, que só tu saberias descrever tão bem.Os teus comentários fazem-me bem à alma!São realmente um presente embrulhado com laços coloridos que deixam a criança que existe em mim aos pulos de alegria.Há muito que queria fazer um post deste texto, mas a preguiça falou mais alto por ser tão longo.Mas uma vez mais a minha querida baby, enviou-me tudo escrito através de e.mail, sem que eu lhe tenha solicitado sequer.Assim é a magia do céu...