É um erro pensar que alguma vez ultrapassaremos a necessidade primitiva de tocar e ser tocados, de respirar a fragrância e de ouvir os sons da intimidade. Os metafísicos bem podem argumentar que somos anjos caídos, almas imortais, ou espíritos demasiado puros para nos deixarmos contaminar pela vil matéria; os correios bem podem prometer que nos manterão em contacto com os nossos, seja qual for a distância - a experiência constante diz-nos que somos criaturas de carne e osso, trazidas e levadas pelo tempo, a quem nesta breve passagem nada consola tanto como a textura duma pele contra a nossa.
Somos espíritos, mas espíritos encarnados, não somos arquétipos platónicos nem extraterrestres em férias neste planeta; o nosso modo próprio de amar envolve sempre o corpo e os sentimentos. E essa forma de amor implica sempre algo de inocente, sensual e infantil.
Numa região distante do nosso ( sempre presente ) passado, continuamos a ser filhos recém-nascidos de pais omnipotentes, que podiam e deviam ( embora muitas vezes não o tenham feito) apertar-nos num abraço eterno. Por isso os grandes exploradores do espírito nos recordam que, se não recuperarmos a bênção do contacto, não entraremos no reino do amor...
( Sam Keen- amar e ser amado )
2 comentários:
É a beleza de Gaya, o jardim onde os anjos se tocam e corpos se fundem na lei una do amor.
Beijo
p/luzidium- Belas também as tuas palavras luzidium.Obrigada por passares por cá.
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