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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ORAÇÃO CELTA


Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante o ódio.

Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.

Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.

Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.

Que a música seja tua companheira em momentos desfrutados na solidão secreta das tuas dores e risos.

Que os teus momentos de amor contenham a magia de uma alma livre, eterna e feliz em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.

Que cada dia seja um novo recomeço; e que assim tua alma seja capaz de dançar na luz dos acasos.

Que em cada passo do teu caminho sejam gravadas as marcas luminosas da tua passagem nos corações.

Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração seja capaz de voar contente nas asas da espiritualidade consciente, e com isso percebas a ternura invisível que ilumina o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.

Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável.

Que os teus pensamentos, os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida sejam abençoados e abraçados por Aquele que ama.

Que sejas capaz de deixar-se guiar pelo amor que não se explica, mas que sejas capaz de senti-lo com a profundidade de quem ama.

Que o amor à vida, à natureza, aos semelhantes e a ti mesmo seja o teu destino e porto seguro, tua missão de vida e propósito de ser.

Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, o teu caminhar cansado em alegres passos de dança renovadora.

Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.

Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz.


Encontrei nesta oração,tudo o que vos quero desejar.
FELIZ ANO NOVO !!!!!!!!







quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A PEQUENA ALMA E O SOL


Era uma vez, em tempo nenhum, uma

Pequena Alma que disse a Deus:

— Eu sei quem sou!

E Deus disse:

— Que bom! Quem és tu?

E a Pequena Alma gritou:

— Eu sou Luz

E Deus sorriu.

— É isso mesmo! — exclamou Deus. — Tu

és Luz!

A Pequena Alma ficou muito contente,

porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.

— Uauu, isto é mesmo bom! — disse a

Pequena Alma.

Mas, passado pouco tempo, saber quem

era já não lhe chegava. A pequena Alma

sentia-se agitada por dentro, e agora queria

ser quem era. Então foi ter com Deus (o que

não é má ideia para qualquer alma que queira

ser Quem Realmente É) e disse:

— Olá Deus! Agora que sei Quem Sou,

posso sê-lo? E Deus disse:

— Quer dizer que queres ser Quem já És?

— Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e

outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como

é ser a Luz! — respondeu a pequena Alma.

— Mas tu já és Luz — repetiu Deus,

sorrindo outra vez.

— Sim, mas quero senti-lo! — gritou a

Pequena Alma.

— Bem, acho que já era de esperar. Tu

sempre foste aventureira — disse Deus com

uma risada. Depois a sua expressão mudou.

— Há só uma coisa...

O quê? — perguntou a Pequena Alma.

— Bem, não há nada para além da Luz.

Porque eu não criei nada para além daquilo

que tu és; por isso, não vai ser fácil

experimentares-te como Quem És, porque não

há nada que tu não sejas.

— Hã? — disse a Pequena Alma, que já

estava um pouco confusa.

— Pensa assim: tu és como uma vela ao

Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões,

ziliões de outras velas que constituem o Sol. E

o Sol não seria o Sol sem vocês. “Não seria um

sol sem uma das suas velas... e isso não seria

de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no

entanto, como podes conhecer-te como a Luz

quando estás no meio da Luz — eis a

questão”.

— Bem, tu és Deus. Pensa em alguma

coisa! — disse a Pequena Alma mais

animada.

Deus sorriu novamente.

— Já pensei. Já que não podes ver-te como

a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te

de escuridão — disse Deus.

— O que é a escuridão? perguntou a

Pequena Alma.

— É aquilo que tu não és — replicou Deus.

— Eu vou ter medo do escuro? —

choramingou a Pequena Alma.

— Só se o escolheres. Na verdade não há

nada de que devas ter medo, a não ser que

assim o decidas. Porque estamos a inventar

tudo. Estamos a fingir.

— Ah! — disse a Pequena Alma, sentindo-

se logo melhor. Depois Deus explicou que, para se

experimentar o que quer que seja, tem de

aparecer exactamente o oposto.

— É uma grande dádiva, porque sem ela

não poderíamos saber como nada é — disse

Deus — Não poderíamos conhecer o Quente

sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem

o Lento. Não poderíamos conhecer a

Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o

Agora sem o Depois. E por isso, — continuou

Deus — quando estiveres rodeada de

escuridão, não levantes o punho nem a voz

para amaldiçoar a escuridão.

“Sê antes uma Luz na escuridão, e não

fiques furiosa com ela. Então saberás Quem

Realmente És, e os outros também o saberão.

Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos

saibam como és especial!”

— Então posso deixar que os outros vejam

que sou especial? — perguntou a Pequena

Alma.

— Claro! — Deus riu-se. — Claro que

podes! Mas lembra-te de que “especial” não

quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada

qual à sua maneira! Só que muitos

esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver

que podem ser especiais quando tu vires que

podes ser especial!

— Uau — disse a Pequena Alma,

dançando e saltando e rindo e pulando. —

Posso ser tão especial quanto quiser!

— Sim, e podes começar agora mesmo —

disse Deus, também dançando e saltando e

rindo e pulando juntamente com a Pequena

Alma — Que parte de especial é que queres

ser?

— Que parte de especial? — repetiu a

Pequena Alma. — Não estou a perceber.

— Bem, — explicou Deus — ser a Luz é

ser especial, e ser especial tem muitas partes.

É especial ser bondoso. É especial ser

delicado. É especial ser criativo. É especial ser

paciente. Conheces alguma outra maneira de

ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um

momento.

— Conheço imensas maneiras de ser

especial! — exclamou a Pequena Alma — É

especial ser prestável. É especial ser

generoso. É especial ser simpático. É especial

ser atencioso com os outros.

— Sim! — concordou Deus — E tu podes

ser todas essas coisas, ou qualquer parte de

especial que queiras ser, em qualquer

momento. É isso que significa ser a Luz.

— Eu sei o que quero ser, eu sei o que

quero ser! — proclamou a Pequena Alma com

grande entusiasmo. — Quero ser a parte de

especial chamada “perdão”. Não é ser especial

alguém que perdoa?

— Ah, sim, isso é muito especial,

assegurou Deus à Pequena Alma.

— Está bem. É isso que eu quero ser.

Quero ser alguém que perdoa. Quero

experimentar-me assim — disse a Pequena

Alma.

— Bom, mas há uma coisa que devias

saber — disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um

bocadinho impaciente. Parecia haver sempre

alguma complicação.

— O que é? — suspirou a Pequena Alma.

— Não há ninguém a quem perdoar.

— Ninguém? A Pequena Alma nem queria

acreditar no que tinha ouvido.

— Ninguém! — repetiu Deus. Tudo o que

Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em

toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha

à tua volta. Foi então que a Pequena Alma reparou na

multidão que se tinha aproximado. Outras

almas tinham vindo de todos os lados — de

todo o Reino — porque tinham ouvido dizer

que a Pequena Alma estava a ter uma

conversa extraordinária com Deus, e todas

queriam ouvir o que eles estavam a dizer.

Olhando para todas as outras almas ali

reunidas, a Pequena Alma teve de concordar.

Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou

menos perfeita do que ela. Eram de tal forma

maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto,

que a Pequena Alma mal podia olhar para

elas.

— Então, perdoar quem? — perguntou

Deus.

— Bem, isto não vai ter piada nenhuma!

— resmungou a Pequena Alma — Eu queria

experimentar-me como Aquela que Perdoa.

Queria saber como é ser essa parte de

especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é

sentir-se triste.

Mas, nesse instante, uma Alma Amiga

destacou-se da multidão e disse:

— Não te preocupes, Pequena Alma, eu

vou ajudar-te — disse a Alma Amiga.

— Vais? — a Pequena Alma animou-se. —

Mas o que é que tu podes fazer?

— Ora, posso dar-te alguém a quem

perdoares!

— Podes?

— Claro! — disse a Alma Amiga

alegremente. — Posso entrar na tua próxima

vida física e fazer qualquer coisa para tu

perdoares.

— Mas porquê? Porque é que farias isso?

— perguntou a Pequena Alma. — Tu, que és

um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que

vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de

criar uma Luz de tal forma brilhante que mal

posso olhar para ti! O que é que te levaria a

abrandar a tua vibração para uma velocidade

tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz

escura e baça? O que é que te levaria a ti, que

danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino

à velocidade do pensamento, a entrar na

minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto

de fazeres algo de mal?

— É simples — disse a Alma Amiga. —

Faço-o porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida

com a resposta. — Não fiques tão espantada — disse a

Alma Amiga — tu fizeste o mesmo por mim.

Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas,

tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das

eternidades e através de todas as épocas.

Brincámos juntas através de todo o tempo e

em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já

fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo,

a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali,

o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o

Feminino, o Bom e o Mau — fomos ambas a

vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas

vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a

oportunidade exacta e perfeita para Expressar

e Experimentar Quem Realmente Somos.

— E assim, — a Alma Amiga explicou

mais um bocadinho — eu vou entrar na tua

próxima vida física e ser a “má” desta vez.

Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu

podes experimentar-te como Aquela Que

Perdoa.

— Mas o que é que vais fazer que seja

assim tão terrível? — perguntou a Pequena

Alma, um pouco nervosa.

— Oh, havemos de pensar nalguma coisa

— respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.

Então a Alma Amiga pareceu ficar séria,

disse numa voz mais calma:

— Mas tens razão acerca de uma coisa,

sabes?

— Sobre o quê? — perguntou a Pequena

Alma.

— Eu vou ter de abrandar a minha

vibração e tornar-me muito pesada para fazer

esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser

uma coisa muito diferente de mim. E por isso,

só te peço um favor em troca.

— Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres!

— exclamou a Pequena Alma, e começou a

dançar e a cantar: — Eu vou poder perdoar,

eu vou poder perdoar!

Então a Pequena Alma viu que a Alma

Amiga estava muito quieta.

— O que é? — perguntou a Pequena Alma.

— O que é que eu posso fazer por ti? És um

anjo por estares disposta a fazer isto por mim!

— Claro que esta Alma Amiga é um anjo!

— interrompeu Deus, — são todas! Lembra-te

sempre: Não te enviei senão anjos.

E então a Pequena Alma quis mais do que

nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.

— O que é que posso fazer por ti? —

perguntou novamente a Pequena Alma. — No momento em que eu te atacar e

atingir, — respondeu a Alma Amiga — no

momento em que eu te fizer a pior coisa que

possas imaginar, nesse preciso momento...

— Sim? — interrompeu a Pequena Alma

— Sim?

A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.

— Lembra-te de Quem Realmente Sou.

— Oh, não me hei-de esquecer! — gritou a

Pequena Alma — Prometo! Lembrar-me-ei

sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.

— Que bom, — disse a Alma Amiga —

porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que

eu própria me vou esquecer. E se tu não te

lembrares de mim tal como eu sou realmente,

eu posso também não me lembrar durante

muito tempo. E se eu me esquecer de Quem

Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e

ficaremos as duas perdidas. Então, vamos

precisar que venha outra alma para nos

lembrar às duas Quem Somos.

— Não vamos, não! — prometeu outra vez

a Pequena Alma. — Eu vou lembrar-me de ti!

E vou agradecer-te por esta dádiva — a

oportunidade que me dás de me experimentar

como Quem Eu Sou. E assim o acordo foi feito. E a Pequena

Alma avançou para uma nova vida,

entusiasmada por ser a Luz, que era muito

especial, e entusiasmada por ser aquela parte

especial a que se chama Perdão.

E a Pequena Alma esperou ansiosamente

pela oportunidade de se experimentar como

Perdão, e por agradecer a qualquer outra

alma que o tornasse possível.

E, em todos os momentos dessa nova vida,

sempre que uma nova alma aparecia em cena,

quer essa nova alma trouxesse alegria ou

tristeza — principalmente se trouxesse tristeza

— a Pequena Alma pensava no que Deus lhe

tinha dito.

Lembra-te sempre,

— Deus aqui tinha sorrido —

não te enviei senão anjos...


Feliz natal para todos os Anjos que habitam este planeta...

( Neale Donald Walsch)

domingo, 29 de novembro de 2009

AMOR PACIFÍCO


Não quero amor que não saiba dominar-se,

desse, como vinho espumante,

que parte o copo e se entorna,

perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro como a tua chuva,

que abençoa a terra sequiosa,

e enche as talhas do lar.

Amor que penetre até ao centro da vida,

e dali se estenda como seiva invisível,

até aos ramos da árvore da existência,

e faça nascer as flores e os frutos.

Dá-me esse amor que conserva tranquilo o coração,

na plenitude da paz!...


( TAGORE)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

AFORISMOS


Como as gaivotas e as ondas se encontram, nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando, vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.

Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.

A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.

Se faço sombra em meu caminho, é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.

Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração, e não duvido jamais das flores de tua primavera.

Quando o dia cai, a noite o beija e lhe diz ao ouvido:
'Sou tua mãe a morte, e te hei de dar nova vida'.

O mistério da vida é tão grande como a sombra na noite.

A ilusão da sabedoria é como a névoa do amanhecer.

Lemos mal o mundo, e dizemos logo que nos engana.

A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra.

Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei.

Cada criança nos chega com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens.

Elogios me acanham, mas secretamente imploro por eles.

( Tagore )

sábado, 31 de outubro de 2009

PARA ONDE VAMOS E O QUE FAZEMOS POR AQUI




A Terra é uma nave que percorre um caminho subtil em direcção ao fim dos tempos. Um caminho demorado visto só poder chegar a bom porto quando estiverem concluídas algumas premissas.

A primeira delas é a Terra conseguir chegar inteira. Antes que a própria Humanidade destrua a Humanidade. A segunda, é que os homens consigam chegar a um nível de evolução em que consigam abandonar a Terra. Consigam tipos de consciência cada vez mais subtis, que façam com que o corpo perca densidade e já não obedeça às leis da gravidade e da física.

O corpo dos homens dentro de alguns milhares de anos poderá começar a ficar transparente, mais consciência e menos corpo, e o Homem gradualmente não precisará mais respirar, nem de uma Terra para viver. Chegaremos nessa altura ao segundo estágio da criação, que significa que a experiência da matéria foi superada.

Vamos para um sítio onde o homem ganha uma consciência superior e se responsabiliza por não maltratar mais os seus irmãos nem esta imensa bola em que vive, que é sua casa. É necessário conectar as pessoas com o céu, de todas as formas possíveis, de modo a que elas possam reidentificar quem são e comecem a compreender que TODAS, sem excepção, fazem parte deste projecto evolutivo chamado Humanidade.

É uma questão de consciência. O ser humano veio à Terra promover o seu processo evolutivo a nível material. Mas como não deixa de ser um espírito, não deverá deixar de se conectar com o que é. A parte material é a novidade. A parte espiritual é o nosso lado mais antigo, mais genuíno.

O que vimos fazer à Terra é sermos nós próprios, que já éramos em espírito, mas numa nova dimensão. A material. Assim, essa conexão matéria/espírito, o que sou aqui em baixo, conectado com o que sou lá em cima, é o nosso objectivo.

(Este Jesus Cristo que Vos Fala, Livro1/A Entrega
Alexandra Solnado)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

INICIADOS



O que tem de gente acendendo vela para o santo e ao mesmo tempo fulminando os adversários com pensamentos daninhos é uma enormidade.
A ignorância das realidades da vida espiritual torna as pessoas ridículas em suas práticas espirituais.
Muitos querem desenvolver fenómenos incríveis, mas são medrosos e têm medo do que supostamente gostariam de ver. Querem ver o Além, mas têm medo de olhar para si próprios e verificar a quantidade de coisas ruins que moureja em seu íntimo.
Quando alguém lhes fala de valores elevados, irritam-se facilmente. Preferem a superficialidade tão comum aos que viajam nas vias espirituais cheios de leviandade.
O que os move no caminho espiritual são seus desejos egoístas e a ânsia por poderes psíquicos. Não querem crescer, querem poderes.
Não almejam o amor e nem a claridade de quem galga os degraus de luz com atitudes dignas no seio do mundo comum.
Querem ser iniciados nos arcanos espirituais, mas seus pensamentos são vulgares e suas emoções são mais mundanas do que os que nada sabem desses assuntos. São mais profanos do que os profanos comuns, pois têm o acesso ao conhecimento que liberta, mas portam-se equivocadamente em relação aos objectivos de suas buscas espirituais. São profanos de luxo!
Procuram constantemente técnicas especiais para o desenvolvimento dos poderes psíquicos, mas não portam a paciência necessária para a colheita dos resultados.
Não têm disciplina para perseverar e estão sempre em busca de alguma fórmula espiritual milagrosa que lhes abra as percepções, ou de algum exercício infalível.
Raramente ponderam sobre as responsabilidades inerentes a esses estudos e práticas.
Quanto maior o conhecimento, maior a responsabilidade.
Carregam duas bolsas em suas actividades (humanas e astrais): uma na mente e a outra no coração.
A bolsa mental está repleta de condicionamentos e arrogância.
A bolsa do coração está lotada de mágoas e egoísmo.
Muitas vezes, os espíritos infelizes os assediam cutucando justamente essas bolsas. Costumam agarrar-se a elas e acompanham essas pessoas, aonde elas vão.
Não precisa abrir a clarividência para ver esses espíritos e nem sair do corpo para encontrá-los. Basta olhar dentro das bolsas!
O encontro consigo mesmo é amargo e doce. Todo iniciado nos arcanos espirituais sabe disso na prática, pois já chorou muito pisando os vários espinhos psíquicos espalhados pelas pistas de sua própria alma. Trilhou becos obscuros e trilhas perigosas em si mesmo, onde sua única lanterna era seu discernimento e seu amor pela luz.
Munido de grande respeito pelos objectivos colimados e sempre caminhando com modéstia e responsabilidade, encontrou a GRANDE LUZ em si mesmo. Permitiu-se ser possuído por um amor transbordante. O véu de Ísis foi erguido no templo de sua alma e o manto da ilusão dissolveu-se.
No profundo amargo de suas provas, ele percebeu a doce presença do INEFÁVEL guiando seus passos.
Em silêncio, ele curvou a cabeça e prometeu servir aos ditames da LUZ e lutar tenazmente contra a ignorância.
Prometeu servir a humanidade da forma que lhe for possível e ser canal da ESPIRITUALIDADE a favor do progresso de todos os seres.
Seu grau iniciático está presente em suas atitudes diárias: é incapaz de fazer o mal a alguém.
Seu trabalho é preciso: sabe por onde anda e como executar sua tarefa no mundo.
Seu mestre é o AMOR.
Sua ordem é a do BEM.
Seu arcano é simples: trabalhar na LUZ.
Os buscadores levianos querem os poderes, não o trabalho. O iniciado quer o trabalho, não o ego.
Na óbvia diferença entre os objectivos dos dois fica evidenciada a qualidade da viagem espiritual de cada um.
No cadinho da experiência, a vida fará ocorrer a grande alquimia: transformará, pelas vias das experiências diárias e comuns, os corações de ferro em corações dourados de ouro espiritual, peneirado nas areias iniciáticas da própria alma.
Para os levianos de plantão, um recado: a ânsia pelos poderes para-psíquicos talvez revele reminiscências inconscientes de antigas experiências com magia das trevas em vidas passadas. Nesse caso, a natureza bloqueou, na vida actual, alguns desses potenciais, como forma de proteger esses incautos que geraram péssimas causas no passado.
Só há uma forma de lidar com isso e desbloquear esses potenciais: usá-los com a nítida finalidade de amadurecimento e como expressão da alma que labuta pela melhoria de todos os seres. Fazer o BEM sem olhar a quem, e munir-se de muita paciência na jornada da vida. Transformar o que é das trevas, de ontem, no radiante de hoje.
E, acima de tudo, esvaziar as bolsas da mente e do coração e colocar, no seu lugar, o discernimento e a fraternidade em acção.
Ninguém é perfeito e a trilha ascensional é íngreme. Mas, o esforço vale a pena!
O prémio não é nenhum poder ou mestrado espiritual. É apenas um estado de alegria íntima independente de circunstâncias exteriores.
É aquele brilho nos olhos de quem trabalha dignamente.
É aquela LUZ no coração que nada pode apagar.
É um agradecimento contínuo ao INEFÁVEL que lhe permitiu ascender, mesmo em meio a tantas encrencas diárias.
É aquela sensação de imortalidade enchendo sua consciência de confiança e esperança no melhor para todos.
Aos iniciados de plantão, um recado: quanto mais profundo o grau iniciático, mais forte será a sensação de que se é um eterno neófito da vida e do Divino

PAZ E LUZ.

(Texto escrito por Sandra Pedrosa-Recebido por e.mail)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CRIANÇA INTERIOR


"Não te deixes enganar por mim,
Não te deixes enganar pela cara que eu ponho,
Porque eu uso uma máscara, mil máscaras, máscaras que tenho medo de tirar,
E nenhuma delas sou eu.
O fingimento é uma arte que está enraizada em mim,
Mas não te deixes enganar.
Por amor de Deus não te deixes enganar."

"Posso dar a impressão que sou seguro,
Que está tudo tranquilo e sereno dentro e fora de mim,
Que a confiança é o meu nome e a frieza o meu jogo,
Que está tudo sob controle dentro de mim, está tudo calmo.
E não preciso de ninguém."

"Mas não acreditem em mim.
À primeira vista a minha cara pode parecer suave,
Mas a aparência é a minha mascara,
Inconstante e enganadora está sempre a esconder-se.
Debaixo da aparência não há satisfação.
Debaixo da aparência existe a confusão, medo e solidão
Mas eu escondo isto. Não quero que ninguém o saiba."

"Entro em pânico com a ideia dos meus medos e fraquezas serem expostos.
È por isso que criei inquietantemente uma mascara para me esconder,
Uma fachada sofisticadamente despreocupada,
Para me ajudar a fingir,
Para me proteger daquele olhar de relance de quem verdadeiramente me vê.
Mas é esse olhar precisamente a minha salvação."

"È a minha única esperança, eu sei isso.
Isto é, se for seguido pela a aceitação,
se for seguido pelo amor.
È a única coisa que me pode libertar de mim mesmo,
Das paredes da prisão que eu próprio construi,
Das barreiras que tão minuciosamente ergui,
È a única coisa que me assegurará,
Daquilo que não posso assegurar a mim próprio;
- “Que realmente eu tenho valor...”
Mas eu não te digo isto. Não me atrevo . Tenho medo.
Tenho medo que o desvendar do teu olhar não seja seguido pela aceitação,
Que não seja seguido pelo amor."

"Tenho medo que me menosprezes, que rias,
E o teu riso irá destruir-me.
Tenho medo que bem no fundo eu não seja nada, que realmente não seja boa pessoa
E tenho medo que tu vejas isto e me rejeites.
Por isso, jogo o meu jogo, o meu desesperado jogo do “faz de conta”,
Com uma fachada de segurança por fora
e uma criança a tremer por dentro."

"Começa então o sumptuoso mas vazio desfile de mascaras,
E a minha vida torna-se numa farsa.
Mantenho contigo um dialogo inútil num tom de conversa superficial.
Eu digo-te tudo, que na realidade nada é,
e nada acerca daquilo que tem significado,
aquilo que está a chorar dentro de mim.
Por isso, quando eu estiver a ir pelo mesmo “caminho”,
Não te deixes enganar por aquilo que estou a dizer,
Por favor, tenta ouvir aquilo que eu não digo,
Aquilo, que eu gostaria de ser capaz de dizer,
Aquilo que por necessidade, gostava de poder falar,
Mas que não sou capaz de dizer."

"Eu não gosto de me esconder,
Eu não gosto de fazer jogos falsos e superficiais.
Eu quero parar de jogar esses jogos.
Eu quero ser genuíno, expontâneo e ser eu mesmo,
Mas tu tens que me ajudar.
Tens que ficar de mão estendida à minha espera,
Mesmo que isso pareça a ultima coisa que eu queira."

"Só tu podes tirar da minha visão a fixação vazia do estado “vegetal”.
Só tu me podes “acordar” para a viver a vida.
Cada vez que tu és carinhoso, gentil e encorajador,
Cada vez que tentas compreender, porque realmente te importas,
No meu coração começam a crescer “asas”,
Umas “asas” muito pequenas,
Umas “asas” muito trémulas,
Mas são “asas” !"

"Com o teu poder de tocares os meus sentimentos,
Podes dar um “sopro” de vida,
Eu quero que tu saibas isso.
Eu quero que saibas o quanto és importante para mim,
E como podes ser um Criador – um Criador à imagem de Deus –
De uma pessoa que sou eu,
Se quiseres.
Tu sozinho podes derrubar a barreira atrás da qual eu tremo,
Tu sozinho podes tirar as mascaras,
Tu sozinho podes libertar-me do meu mundo sombrio de pânico e incerteza,
Da minha “prisão” solitária,
Se assim o decidires.
Por favor, decide que sim. Não me deixes passar “ao lado.”
Não vai ser fácil para ti.
Uma forte convicção de que não tenho valor construiu fortes muralhas.
Quanto mais perto tu te chegares a mim,
Mais cegamente poderei ripostar.
É irracional, apesar do que os livros dizem sobre o ser humano,
Muitas vezes eu sou irracional.
Eu luto para manter, aquelas mesmas coisas que choro por largar.
Mas dizem-me que o amor é mais forte do que ”fortes muralhas”,
E aí reside a minha esperança."

"Por favor, tenta vencer essas barreiras,
Com mãos firmes,
Mas com mãos gentis,
Porque a criança que sou, é muito sensível.
Quem sou eu, tentas tu imaginar,
Sou alguém que conheces muito bem,
Porque sou todos os homens que já encontraste,
E todas as mulheres que já conheceste."

( Charles C. Finn - no livro Curar a Criança Interior de Charles Whitfield )

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

DISTÂNCIA


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:

"Porque é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?"

"Gritamos porque perdemos a calma", disse um deles.

"Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?" Questionou novamente o pensador.

"Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça", retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:

"Então não é possível falar-lhe em voz baixa?" Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu:

"Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?"

O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito.

Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para se ouvirem um
ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque os seus corações estão
muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes os seus corações estão tão próximos, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer de sussurrar, apenas se olham, e basta. Os seus corações entendem-se. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas."

Por fim, o pensador conclui, disse:

"Quando vocês discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais
encontrarão o caminho de volta".

Mahatma Gandhi

(Recebido por e.mail pela minha querida baby)