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terça-feira, 18 de setembro de 2012

TRISTEZA

Estou triste.
Sufoco com um nó no peito que me aperta.
Dou por mim a fazer beicinho, como quando era criança.
O medo paralisa-me e passei o dia quase todo enroscada em cima da minha cama.
Em intervalos irregulares, a emoção aflora, e as lágrimas caem quentes para cima da minha almofada.
Levanto-me apenas para as tarefas essenciais à nossa sobrevivência. 
Passear as cadelas, ir à mercearia, tratar do jantar...
Sustenho a respiração, sempre que o meu filho se aproxima.
Não quero que me faça perguntas porque se fizer, eu sei que vou desmoronar.
Ha já muito que eu sabia que este tempo ia chegar.
Que ia ter de fazer escolhas, tomar decisões...
Que talvez tivesse que mudar tudo outra vez.
Que tivesse que deixar esta casa, esta cidade e este mar.
Mas resolvi aproveitar cada dia, cada momento, cada pequeno segundo.
Partilhei tudo, com todos os que pude, que amo, e que me querem bem.
Enchi esta casa de amor, de risos, alegrias, musica e dança.
E agora que o tempo urge e a pressão aperta, eu sinto na pele o retorno de amar tanto assim.
Porque eu sou amiga da nespereira do quintal das traseiras da janela do meu quarto.
Sou amiga dos pardalinhos que me acordam a cantar todas as manhãs,  a quem  atiro pão para cima telhado da cozinha em sinal de gratidão
Tornei-me intima desta longa extensão de areia, onde passeio todos os dias as minhas meninas.
Deste mar maravilhoso onde deposito as minhas lágrimas e os meus risos.
Conheço todos os animais da cidade, e graças a eles, os seus donos também...
Comovi-me vezes sem conta com este senhor estrangeiro que tem uma agência de viagens mesmo em frente à janela da sala.
Ele nem sonha o que já chorei por ele, por ver o desespero espelhado nos seus olhos verdes cheios de água, os suspiros e as mãos na cabeça de quem tudo investiu num negocio que já não da frutos.
E que quando me mudei para cá, há cerca de dois anos, me encontrava exactamente na mesma situação.
  Que eu tinha acabado de abrir mão do meu sonho, enquanto o via agarrar-se com todas as forças a este pedaço de madeira, qual náufrago sem rumo, à espera de ver terra firme...
Trocamos sempre um "bom dia", "boa tarde" e "boa noite", porque ele chega antes de eu acordar, e parte quando a lua já vai alta.
Há dias em que olha para mim como se eu o pudesse salvar, sem imaginar o quanto eu gostaria, não fosse eu também um pedaço de madeira , e com a voz trémula grita baixinho: "Hoje nem um EURO! nem um mapa consegui vender..."
Ao qual eu sempre respondo com o meu sorriso mais doce, apressando o passo, para que ele não veja a tristeza que me vai na alma:"Vai ver que amanhã vai correr melhor..." 
Outros em que o observo ao longe a caminhar pela praia, de sandálias na mão e calças arregaçadas, parando para molhar as pernas até aos joelhos, olhando o horizonte, num nítido pedido de auxilio ao criador.
Eu sei, porque faço o mesmo.Eu sei...
E pergunto-me, o que será deste senhor quando eu não estiver aqui para lhe desejar boa noite, em silêncio, enquanto retira o cadeado da bicicleta, para ir enfim descansar após mais um dia de sufoco.
 Quem irá alimentar os pardalinhos, dar os bons dias à nespereira,levar biscoitos ao Hércules, o cão do senhor que vende cinzeiros feitos de latas, mesmo junto às escadas rolantes?
E para dificultar ainda mais esta minha inútil tentativa de fuga à tristeza, nestes últimos dias, a praia não tem parado de me oferecer pedras em forma de corações perfeitos, búzios maravilhosos, e a visita de um dos meus pardalinhos, que no outro dia bem cedo de manhã me acordou com o bater das asas,  pousou em cima da minha cama, olhou bem fundo nos meus olhos, e só depois regressou para perto da família.Assustei-o.
Porque  dei um grito de alegria, como só a criança que me habita sabe dar!
 Era de alegria...Não foi para te assustar...
Eu queria tanto ter conseguido ficar muda e tentar tocar-lhe...
Eu sei que ele teria deixado.
Como naquele dia do verão passado em que fui a primeira pessoa a avistar algo na água que se aproximava a grande velocidade da margem. 
Parecia um tubarão mas eu nem hesitei, e precipitei-me ao encontro daquele ser magnifico.
Mas quando ele já me tocava nos joelhos e eu percebi que estava em sofrimento, corri para a toalha para ligar às emergências.
Pedi que enviassem a policia marítima, com a máxima urgência, porque um golfinho estava a morrer na praia. 
O meu grito de criança soltou-se de novo, desta vez de aflição, e quando corri para o mar, cheia de coragem para tocar aquele tesouro, já ele havia voltado para o mar.
Será que o mar lhe disse, que eu também o queria salvar?
Que não fugi, e que teria dado tudo para o poder tocar?
Soube no dia seguinte que o meu golfinho, era afinal uma baleia bebé que tinha sido encontrado morta, algumas praias à frente.
Corri para o meu caderno dos segredos e de olhos lavados em lágrimas  agradeci mil vezes pelo milagre que pude ver, e que talvez um dia, Deus me  deixe tocar.
Esta noite, irei fazer o que sempre faço antes de dormir.
Olhar as estrelas e a lua, enviar beijos aos pardais, dizer boa noite à nespereira, e pedir outra vez ao céu que me ajude a ver a porta que se abre, enquanto a tristeza vai fechando devagar, aquela que eu não quero largar...

Cláudia.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SOU ARCO-IRIS

Eu não sou de uma só cor...
Sou composta de uma variedade de tudo o que existe.
Não pertenço a nada, a ninguém.
Sou livre...
Maravilhosamente livre e solta como solto é o vento do sopro que me anima.
Não tenho partido, não tenho religião, e nem pertenço a nenhuma raça.
Não encaixo em perfil algum,e não obedeço a leis senão as  do meu próprio coração.
Recuso rótulos, não caibo em caixas.
Não aceito conselhos de quem não admiro, não entrego o meu poder a nada externo a mim, e não gosto de andar em rebanhos.
Acredito em duendes, fadas, anjos e extra-terrestres.
Acredito em pessoas boas, acredito nos animais, e falo com eles. E eles respondem.
Abraço árvores, converso com  conchas, as pedras , as estrelas e a lua.
Não acredito em causas perdidas, e sim em milagres.
Sou cidadã do mundo, sou amante de beleza, sou tudo e sou nada...
Sou contradição,paradoxo e harmonia.
Não tenho um estilo musical, nenhum escritor preferido, e nenhuma estrela que venere.
Eu amo a escrita, respiro musica, e gosto de ver pessoas que se fundem nos personagens que encarnam. 
Amo a natureza, cada folha, cada pétala, cada raio de sol, gota de chuva, ou grão de areia...
Entrego-me à vida como se tudo valesse a pena.
Porque vale...
Sou intensa e apaixonada como o fogo.
 Frágil e vulnerável como a terra.
Sensível e imprevisível como a água.
Sou leve e feroz como o vento.
Por vezes choro baixinho no silêncio da noite.
Outras grito debaixo de água, imersa na banheira da minha casa.
Para não assustar as crianças.
A minha, e a tua...
Faço birras, e zango-me com o céu, sempre que me esqueço de quem verdadeiramente sou.
 Dou gargalhadas sonoras por coisas sem sentido, sozinha ou acompanhada, e choro, de tanto rir...
Choro mesmo muito.
Porque tudo me toca, porque sinto as dores do mundo, porque existem coisas que preferia não ver, saber, e nem ouvir falar, mas também porque vejo e sinto amor em tudo e o amor me faz chorar.
Acredito em tudo o que não vejo, porque o que não vejo, é o que mais me faz chorar.
De gratidão, de paixão, de saudade, de amor!
Tudo o que fui, o que já tive, e que que amei, foi a vida que me emprestou.
Para viver, experiênciar, desfrutar, e aprender a largar.
E é por isso que o só me posso comprometer com uma coisa.
A vida.
Com uma só pessoa.
Eu.
Porque só ela me conhece,entende os meus motivos, e irá seguir todos os meus passos.
Apenas ela tem as minhas lágrimas contadas, os meus sonhos guardados, e o meu presente nas mãos.
E eu confio em mim para deixar que a vida continue a apresentar-se, mostrando os sinais que devo seguir para continuar a caminhar neste caminho que só eu posso percorrer.
O caminho das cores do arco-íris que eu sou.
Infinito...
Eterno...
Onde descubro a cada passo que tu és outro eu e que eu, sou outro tu...

 Cláudia 




terça-feira, 11 de setembro de 2012

NÃO MORREREI UMA VIDA NÃO VIVIDA

"Não vou morrer com uma vida não vivida.
Não vou viver com medo de cair ou de pegar fogo.
Eu escolho habitar meus dias,
Para permitir que a vida me abra,
me tome os medos,
me torne mais acessível.,
solte o meu coração até que ele ganhe asas,
se torne uma tocha, uma promessa...
Eu escolho arriscar a minha importância
de modo que o que chegue a mim como semente,
vá para o próximo como flor...
e o que me chegue como flor, se vá como frutos.."

(Dawna Markova)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ANJOS QUE FALAM ATRAVÉS DE NÓS

Este video retrata alguns dos melhores canalizadores dos Estados Unidos.
Eu pessoalmente sinto-me especialmente ligada a Kryon, canalizado através de Lee Caroll, e também a Geoffrey Hope, que tem vindo a canalizar varias entidades angélicas ao longo dos anos.Também amo Steve Rother, canalizador do "The Group", e ultimamente tenho vindo a entusiasmar-me com Bashar, que é tão intenso e enérgico! Como eu...
Canalizar é simplesmente permitir-se ser um canal para que o céu comunique com a humanidade.
Para mim, é como receber um telefonema dos meus entes queridos, da minha família espiritual, e da mesma maneira que fico feliz, quando recebo noticias da minha família humana, assim acontece com a minha família angélica.
Porque eu acredito que sou ambas.Eu acredito que sou um anjo humano, e que isso somos.
Eu descobri Deus dentro de mim, e sempre que ouço de olhos fechados, estes seres magníficos, eu sinto um amor que nunca encontrei aqui, a não ser com eles.Com esta energia avassaladora de amor incondicional.
O amor é tão forte, que costumo reservar esses momentos só para mim.
Porque não consigo conter as lágrimas  porque a saudade já é muita, e porque em momentos de intimidade como estes, o resto do mundo não tem a menor importância.
Tudo o que preciso é apenas sentir, sentir, sentir, e deixar que eles me encham o deposito de amor...
é com eles, que me encho de mim.
Isto sem falar da sabedoria, dos conselhos e das informações absolutamente essenciais a todos os seres que escolhem o caminho da espiritualidade.
Que acreditam que somos espíritos a fazer a experiência humana e não o contrário.
Esta mudança de paradigma muda tudo, e para adoptá-la, nada melhor do que o próprio espírito através do humano para nos auxiliar.Sem a interferência do ego. Sem persona.
Lamento este filme não estar legendado.Hesitei em publica-lo por isso mesmo.
Mas pensei melhor, e senti que não poderia deixar passar mais este pedaço de caminho que me leva a ser quem sou.
Afinal sempre foi esse o objectivo deste portal.
Estes canalizadores têm milhares de seguidores no mundo inteiro e por isso podem encontrar canalizações  no youtube, assim como nos sites oficias dos mesmos, em vários idiomas.
Espero que gostem...

Cláudia.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O TESOURO QUE SOMOS

Tenho dentro de mim, um tesouro que preciso desvendar.
 Não estou aqui por acaso.
Sou uma obra de arte criada por Deus.
 Tenho dentro de mim a sua centelha que se quer expressar através de mim.
 Não estou sozinha e nem fui aqui despejada sem referencias ou ajudas
.Tenho dons, talentos e muito amor para dar ao mundo.
Existe algo de belo de puro e único que só eu posso dar. é meu direito e minha herança divina.
Nunca fui vitima de nada e nem de ninguém.
Sou responsável por tudo o que me acontece e tudo o que me aconteceu.
O meu valor é inestimável; e sou imensamente amada por ter tido a coragem de encarnar num planeta sem amor, quando o meu lar, a minha verdadeira casa é isenta de qualquer sombra ou negatividade.
Vim aqui para entrar em contacto com essa negatividade, munida do meu livre arbítrio, para que em cada circunstância, pudesse escolher em conformidade com quem sou realmente.
Sempre que me esqueço ou me afasto da minha origem; que é amor,os meus protectores do lar, enviam me avisos, para que volte a agir em conformidade com quem sou.E sim, já me afastei muitas e muitas vezes. Esqueci muito cedo de onde vim e quem eu era.Cai vezes sem conta.
Tive de cair milhares de vezes, ate perceber que eu não me recordava da fonte, mas que a fonte, se lembrava de mim...
 Que parte dela, tinha vindo comigo, e que não podia ser a pessoa triste, zangada e revoltada que via ao espelho.
 Tinha de haver mais qualquer coisa,e quanto mais eu procurava "fora", mais eu me perdia.
Porque a minha morada aqui, é apenas temporária.
Eu vou, e eu venho...
Porque amo imensamente este planeta azul, e também porque faço parte desta magnifica raça que é a humanidade.
Porque a minha missão, é conciliar a Terra e o céu que existem dentro e fora de mim.
A minha morada eterna, é la em cima.
Mas para visita-la, eu tive de parar de olhar para fora,e mergulhar fundo, dentro de mim.
Quem eu sou, não está a vista.é secreto,e o caminho para chegar lá é silencio, é escuro,é solitário e é lento.
A velocidade do  caminho de regresso, é proporcional ao desvio da caminhada.
Mas uma vez encontrado é irreversível, é magico e cheio de bênçãos.
Leva nos a despojarmos de tudo, porque esse "tudo" esta cheio de nada, e não deixa espaço para o que é nosso, se manifeste.
Esse "tudo" foi nos dado pelos outros,e nós aceitámos porque desconhecíamos o nosso poder.
O nosso poder existe dentro daquilo que nos faz feliz.
E passámos tanto tempo a tentar tornar os outros felizes, que ficamos para último.
Revertemos as prioridades.
Porque é contra natura.
 Parte do pressuposto de que somos impotentes perante a nossa vida mas que podemos salvar os nossos ente queridos.
Como se fossemos órfãos e tivéssemos sido aqui despejados para nos salvarmos uns aos outros, sem nunca sermos capazes de o conseguir.
Exigindo que os outros nos salvem sem nunca serem capazes.
Abdicando assim do nosso poder, dos deuses que todos somos e  não é suposto que assim seja.
O que podemos fazer pelos outros e o que os outros fazem por nós, é espelhar tudo aquilo que somos aqui.
A nossa luz, e as nossas sombras, que pedem os nossos cuidados.Que clamam pela nossa luz...
Não culpando, e nem julgando o outro, e sim reconhecendo o que pede para ser curado.Com compaixão.
Os outros são almas amigas que frequentemente, disfarçadas dos nossos maiores inimigos, vem ajudar nos a ver quão longe ou quão perto estamos do nosso caminho.
Se não gosto do que vejo no espelho da vida, eu mudo, e passo a escolher o que quero reflectido.
 De nada adianta olhar para o espelho com cara zangada, se eu quero ver um sorriso;
 O espelho é fiel e não vai sorrir me se eu não o fizer.
Viemos a este planeta com a missão de trazer amor, a um planeta sem amor.
Imaginem a coragem para fazer essa escolha.
Qual será o motivo que nos leva a fazer tal escolha?
 Tem de haver algo muito forte, muito poderoso, e absolutamente inequívoco para que isso aconteça.
Tem de haver uma força, um poder, um impulso gigantesco para aceitar tão difícil tarefa.
Nunca escolheríamos tarefa tão árdua se não  "soubéssemos " que teríamos todas as ferramentas, toda a protecção e toda a bagagem necessária para o fazer.
Algo dentro de nós " sabe" que escolheu ,  sabe que tem de avançar apesar dos dias desesperados.
Porque esse desespero é precisamente o sinal de que um dia o tempo vai acabar, e que o amor esta à espera que o reclamemos como nosso para que possa ser distribuído pelo maior número de pessoas, durante o maior tempo possível,e em todos os locais possíveis.
E nós já pudemos constatar que o amor que buscamos "aqui", não é incondicional .
 Não é o amor que temos no lar.
E por isso perdemos muito tempo à procura desse amor nos lugares errados, até que mudemos de ângulo.
Iniciamos uma nova busca no lugar onde ele se encontra, que é no céu.
E para chegarmos ao céu, temos de aceder à nave que se encontra dentro de nos.é ela que consegue fazer a ligação, por forma a ir buscar o que se comprometeu a trazer a esta lindo planeta, carente de amor.
Ao acedermos à nave, acedemos ao que o céu tem de melhor para nos, ao que só ele nos podemos dar.
Encontramos enfim o que faremos com tanto amor e tanta alegria, que será um prazer imenso para nós e todos os que puderem participar desse milagre.
 Estar perto de uma alma que encontrou a sua luz, é um milagre para todas as outras, porque essa alma emana tanto amor, e tanta sabedoria, que ira fazer com que as outras acreditem que há uma outra vida a ser vivida.
 Que acreditem que também eles podem ser felizes, e principalmente que acreditem que também eles tem acesso a esse caminho.
Que podem e devem percorre lo.
 E que ao fazê lo irão cumprir a missão dupla de curarem o mundo e a si próprios.
E vão finalmente perceber a imensa honra que é fazerem temporariamente parte da humanidade, e irão sentir a gratidão de todo o povo do céu,que aguarda o nosso regresso saltando de alegria por termos trazido um pouco de céu à Terra.
Sentirão o imenso orgulho e admiração que todos os anjos que estiveram sempre ao nosso lado tem por nos.
O quanto aprenderam com o nosso percurso, o quanto se emocionaram connosco, o quanto estiveram do nosso lado nos momentos em que mais nos sentimos abandonados, o quanto nos segredaram palavras de conforto,inúmeros conselhos sábios e como nos abraçaram com força, durante toda a nossa estadia aqui.
E nós iremos sentir essa gratidão redobrada, multiplicada por mil, e iremos finalmente poder descansar com a certeza de que tudo, absolutamente tudo, valeu a pena!
E depois de reenergizados, quem sabe...Voltar...
Por amor, para mais amor, e porque somos os tesouros do amor.

Cláudia.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MATURIDADE

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.
 Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica de mim mesma.
 Eu me tornei minha própria amiga ...


 Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio.


 Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido ... Eu choro.
Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.


 Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?


 Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão.


 Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam.


 Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errada.


Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idosa.
A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei.


 Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.


 E eu vou comer sobremesa todos os dias se me apetecer.




(Desconheço a autora)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DESEJO



Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como 
lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas da tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração festeje, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave alento te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente nas tuas costas.
Que o sol brilhe morno e suave na tua face.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontres a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho nos teus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
Que os Deuses te guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz! ♥




( Sabedoria Celta ) Dedicado a ti, Amaral, em gratidão pelo carinho que aqui depositas desde a primeira vez que adentraste este portal... Obrigada amigo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A VIAGEM




Olhando do alto das nuvens mais brancas do céu, a minha alma olhou para baixo e viu novamente o lindo planeta azul.
Recordou as árvores, o oceano, as flores e todos os animais que ali habitam.
Escutou o sopro do vento, o rugido dos trovões, e o barulho da chuva.
Voltou a sentir o cheiro da terra molhada, a frescura da relva e o calor da areia nos pés.
Lembrou-se do sol, da lua e das estrelas e soube que se resolvesse saltar, teria de olhar para cima e não para baixo, sempre que os quisesse contemplar.
Sentiu profundamente a vulnerabilidade do mundo emocional ao qual estaria sujeita, se decidisse mergulhar.
Os desafios, as duvidas, os obstáculos, os retrocessos e os avanços que teria de enfrentar.
Sabia a dura prova que a aguardava de estar dividida e não mais inteira, a ter de vivenciar a dualidade dos opostos.
Hesitou muito, por estar consciente da dor do  esquecimento de quem era, e que iria ter de  deixar metade de si própria no lar até que fizesse a conexão, sem quaisquer garantias de ser bem sucedida.
Recordava a saudade imensa das suas raízes...
E que seria essa saudade abençoada, tão dolorosa e solitária que iria servir de farol, e  que  iria impulsiona-la a encontrar o caminho de regresso à totalidade de quem era.
Sabia que trazia algo de absolutamente necessário para a Terra, que só ela poderia dar, pois faz parte de uma orquestra gigantesca , que nunca tocará em harmonia, sem o instrumento que ela carrega.
Pensou nas limitações do corpo, e que enquanto cá estivesse, não iria poder voar...
Por fim, recordou as outras almas que habitavam o planeta e toda ela se iluminou!
Estava comprometida com o amor, e sabia que a sua chegada era esperada e celebrada em todos os cantos do universo.
Perdeu todas as hesitações, e olhando uma vez mais para todo o povo do céu que ali se havia reunido para se despedir, saltou para o vórtice mais uma vez.
Não veio só...
Está sempre rodeada de anjos.
Para  a relembrar que o corpo que vê reflectido no espelho, é apenas um disfarce para o anjo que ela é, e que um dia, no dia que ela escolher, ira deixar para trás o disfarce, abrir as suas asas gigantes e poder enfim regressar de volta às nuvens mais brancas do céu.
De volta à fonte do mesmo amor que a trouxe à Terra.
E fará esta viagem até que todo o céu seja trazido à Terra.
Até que a musica das esferas seja cantada e conhecida por todos.
Até que metade da Terra seja amor, e a outra metade também...

Cláudia.

sábado, 30 de junho de 2012

LOVE VIBRATION


Canta comigo...

Raa- Sun
Maa- Moon
Daa- Earth 
Saa- Impersonal infinity
Saa Say- Totally of infinity
So- Personal sense of merger and identity
Hung- The infinite vibrating and real

A MENTIRA





A minha vida tem sido uma perfeita confusão.
Uma perfeita mentira...
Quarenta anos, a correr, sem saber para onde, sem saber porquê.
Mudei de países, de empregos, de amantes, de casas, de cortes de cabelo, de maneiras de vestir, de amigos.
Mudei tudo, e mudei sempre drásticamente, sem aviso prévio.
Porque já não aguentava o desespero, de nunca encontrar nada, nem ninguém que me satisfizesse, que me devolvesse, o meu sentido de valor, que me desse o amor, que eu tanto almejava.
Sem nunca perceber, que ainda que quisessem, não podiam, ninguém pode.
Mas eu não sabia, não me lembrava, não queria acreditar nisso.
Isso, iria implicar que eu me encontrasse face a face com a verdade.
Mas será que eu estava disposta a ouvir a verdade, que eu tanto buscava?
Como é que eu poderia entender que aquilo que eu via era distorcido?
Uma ilusão?
Como admitir que era eu, afinal a causadora de toda a dor que me infligia?
Isso, implicaria eu ter de me encontrar face a face, com a verdade.
E a verdade, é que eu nunca me amei, e nem nunca amei ninguém.
De verdade.
E nem podia. Eu não sabia que eu... era o amor que procurava.
Enquanto continuasse a pedir aos outros, à vida e a Deus, que fizesse o meu trabalho.
E Deus, que me conhece, que sabe como eu gosto de fugir, e como sou resistente à verdade, fez com que tudo na minha vida, ruisse.
Mais cedo ou mais tarde...
E sempre, graças a mim mesma.
E eu, sempre culpando tudo e todos, pelos meus fracassos.
E quanto mais eu resistia, pior as coisas se tornavam.
Mas eu nasci guerreira, e fiz do palco da vida um campo de batalha.
Perdida...
A cada tempestade, eu içava a âncora, e partia à conquista de novos horizontes.
Apenas para perceber, ao fim de algum tempo, que as tempestades, estavam dentro de mim.
E que fosse eu para onde fosse, elas iam comigo, e eu, com elas...
Quanto mais o tempo passava, mais as batalhas eram sangrentas, mais inimigos eu ia encontrando, e mais eu me ia afogando em mentiras.
Sem perceber que os inimigos que ia encontrando eram afinal aliados.
Almas corajosas, que assumiam o papel de me provocar derrocadas.
Que arriscavam enfrentar a minha raiva, o meu julgamento, a minha intolerância, o meu desdém.
Que me abandonavam, para que eu percebesse, como me abandonava.
Que me mentiam para que eu percebesse como mentia a mim mesma.
Que me faltavam ao respeito para que eu aprendesse a respeitar-me.
Espelhos fidedignos de tudo o que eu fazia a mim mesma.
Para que eu me visse...Que olhasse para mim.
E eu lamentando a minha sorte, achando que tudo me era devido.
Sentindo-me maltratada e injustiçada pela vida...
Que sabiam que também se iam ferir, porque eu era implacavél.
Com elas, e claro, comigo.
Todas as batalhas me puseram frente a frente, com tudo o que eu mais negava.
A minha vulnerabilidade, a minha sensibilidade, a minha imperfeição.
A minha força, que eu negava uma e outra vez.
E a cada batalha, eu ia usando máscaras cada vez mais sofisticadas.
E quanto mais máscaras eu usava, mais me esquecia da minha verdadeira face.
E após cada batalha perdida, que eu não desejava, mas que a minha alma exigia,
Eu era obrigada a mergulhar mais fundo, cada vez mais fundo...
E quanto mais fundo o mergulho, mais vinha à superfície, o medo.
O medo de ver que a verdade, é que eu nutria por mim um ódio profundo.
Um ódio por nunca ter sido o que os outros esperavam de mim.
De nunca ter correspondido às expectativas dos outros.
Da família, da sociedade, dos amigos, dos patrões.
De nunca ter sido nada, do que este mundo esperava de mim.
De sempre desiludir os outros, o fora de mim.
Como poderia eu continuar a viver comigo, sem gostar de mim?
E essa ida ao fundo de mim, essa constatação de que nunca estarei à altura de agradar quem quer que seja, levou-me a um outro caminho.
A um caminho onde retiro os outros do palco, e resolvo escrever um novo guião.
Um caminho, que não tem volta, livre do peso do passado.
Um caminho completamente desconhecido, ao sabor do vento.
 não me lamento pelos sonhos desfeitos, nem quero regressar a lugares onde já estive.
A cada dia que passa, faço os lutos que ficaram por fazer.
Se dói, deixo doer...
 não quero saber tudo, já não me incomodam tanto as incertezas.
E a pouco e pouco, vou olhando para o meu reflexo no espelho e consigo amar o que vejo.
Reconheço os olhos de uma alma muito antiga...
Guerreira da luz, amada por todo o Universo.
Sei que este planeta reconhece os meus passos...
Sei que a minha presença aqui é louvada por cada pássaro, cada flor, cada árvore, e todas as estrelas do céu.
Sinto na natureza, o pulsar da minha imortalidade divina, e sei que tenho Deus dentro de mim.
Sei que trago dentro de mim apenas uma parte,a parte exacta que as limitações do meu corpo agora humano, pode conter.
E essa parte veio cumprir uma missão e está preparada para ela.
Uma missão de Paz, de Amor e de Compaixão.
Por onde começo?
Por mim...
Começo por amar a parte de mim que é humana, e imperfeita, iluminando-a com a divindade que eu sou.
Aceito-a, amo a minha dualidade.
Acendo dentro de mim a pequena luz que trouxe do céu.
E quando tudo estiver iluminado,dentro de mim, espalharei a luz mais bonita que o mundo alguma vez viu!
E sonho algum que alguma vez eu possa ter tido na minha pequena mente, poderá  competir com o propósito da minha  Alma.
E hoje percebo que valeu a pena não me ter tornado nada do que o mundo esperava de mim.
Como poderia o amor que eu sou conhecer-se, sem entrar em contacto com o seu oposto?
Como poderia a compaixão existir, se não conhecesse precipícios? 
Que utilidade teria a paz, se nunca tivesse encontrado conflitos?
Como poderia eu fazer brilhar a minha luz, se não tivesse entrado no escuro?
Acredito que faço parte de uma raça chamada humanidade, que é divina.
Acredito que existe vida em tudo o que existe no universo, mas que a raça humana e apenas ela, tem livre-arbítrio.
Uma enorme responsabilidade, que demonstra um profundo respeito por quem somos e aquilo que representamos.
Nenhum ser-humano tem papéis secundários, a não ser que assim o escolha.
Acredito que esta nas nossas mãos mudarmos o mundo e salvarmos este planeta.
Temos o dever de acender a nossa luz.
A nossa missão, é a de trazer amor do céu, a um planeta carente de amor, que nos tem amado nutrido e sustentado há séculos.
Todo o povo do céu conta connosco para esta tarefa, e estão todos aqui para nos ajudar.
Não posso ainda dizer que me amo na totalidade, no entanto hoje sei que a totalidade me ama.
 não me sinto só, quando estou só, porque a cada dia que passa estou mais cheia de mim.
Agora eu sei, que tive de viver vidas de mentira, por forma a chegar enfim, à minha verdade...
Consigo agradecer pelo caminho percorrido, com a certeza de que deixarei este mundo melhor do que quando cá cheguei.E que foi para isso que eu vim...




Claudia

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ESTAVAS DESTINADO





Tudo isto:

é uma preparação para caminhar no mundo como Luz.

Foste agora encontrado,

e o curso de muitas vidas terminou.

Assim, à medida que cada camada de pó

é limpa da superfície,

o Tu que conheceste deve dispersar.

Deixa esta Luz tornar-se

o Teu discurso e o Teu silêncio.

Deixa a tristeza que te viveu, passar.

Deixa as pessoas que Te amam,

amarem-se a Si próprias.

Deixa a terra tremer, arderem as estrelas

romperem-se os céus quando Tu o fizeres.

Por mais dolorosa que seja esta parte,

Estavas destinado a conhecer a tua Luz...


( Em Claire)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A SOMBRA



Não obstante a nossa mente poder dizer-nos que mau é mau, e bom é bom, que nunca poderemos ser realmente tudo aquilo que sonhámos ser, se a nossa sombra fosse capaz de falar dir-nos-ia uma coisa bem diferente.



Dir-nos-ia que a nossa luz mais brilhante só pode brilhar quando aceitamos as nossas trevas.



Assegurrar-nos-ia da existência de sabedoria em todas as nossas feridas.



Mostrar-nos-ia que a vida é uma jornada mágica para fazer as pazes tanto com a nossa humanidade como com a nossa divindade.



A nossa sombra dir-nos ia que merecemos melhor, que somos importantes, que somos mais do alguma vez sonhámos ser possível e que há luz no fundo do túnel.



Aceitando a nossa sombra, descobrimos que estamos a viver um plano divino, um plano tão importante e tão vital para a nossa evolução pessoal quanto o é para a evolução da humanidade.



Tal como a flor de lótus que nasce da lama, devemos honrar as zonas mais obscuras de nós e as experiências mais dolorosas da nossa vida, pois elas são aquilo que nos permite dar luz ao nosso "eu" mais maravilhoso.



Precisamos do nosso passado sujo e lamacento, do lodo da nossa vida humana- da combinação de todas as mágoas, feridas, perdas e desejos não realizados, misturados com todas as alegrias, sucessos e bêncãos-, para obter a sabedoria, a perspectiva e a motivação necessárias para entrar na mais magnífica expressão de nós próprios.



É esta a dádiva da sombra.



( Debbie Ford- A Luz e a Sombra )

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ADVERSÁRIO




Para lutar, é preciso ter os olhos bem abertos.

E ter companheiros fiéis ao seu lado.

Acontece, que de repente, aquele que lutava ao lado do guerreiro da luz passa a ser seu adversário.

A primeira reacção é de ódio; mas o guerreiro sabe que o combatente cego está perdido no meio da batalha.

Então procura ver as coisas boas que o aliado fez durante o tempo em que conviveram; tenta compreender o que levou à súbita mudança de atitude, quais os ferimentos que se acumularam na sua alma.

Procura descobrir o que fez um dos dois desistir do diálogo.

Ninguém é bom ou mau; o guerreiro pensa nisso quando vê que tem um novo adversário...




(Paulo Coelho- O guerreiro da Luz)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MOMENTOS


Há momentos em que sou extremamente feliz.
Momento mágicos, íntimos e profundos...
Gosto de entrar nas livrarias, de sentir o cheiro do papel.
De percorrer com o olhar as prateleiras, à procura do tesouro que irei levar para casa, desta vez.
Sinto-os como seres vivos, e fico à espera que me escolham.
Porque como seres vivos que são, cheios de sabedoria, eles sabem sempre o que preciso ouvir.
Naquele momento...
Abrem-se nas minhas mãos, precisamente na página que contém a frase com as respostas para as perguntas, que tenho vindo a fazer.
Sentem, como se abre o meu coração, invadido pelo entusiasmo de levar para casa um novo amigo.
Ambos sabemos que fazemos parte, um do outro, e que partilharemos momentos só nossos.
E que um só existe, por causa do outro.
Uma vez a escolha feita, gosto de lhes acariciar a capa, antes de os abrir.
Para que saibam que são queridos, como são os meus amigos.
Fico preenchida por uma imensa gratidão, por saber que alguém, do outro lado do mundo, teve prazer, em dar-me prazer.
Grata pela entrega,pela partilha de palavras escritas, nas quais eu me deleito.
Momentos mágicos, nos quais eu paro tudo, e apenas sou.
Se forem livros de histórias, eu mergulho de cabeça, e deixo-me embalar.
Leio de fio a pavio, envolvo-me, emociono-me.
Vivo cada parêntese, cada vírgula...
Arregalo os olhos perante cada ponto de exclamação.
Franzo o sobrolho, perante cada ponto de interrogação.
No fim de cada capítulo, hesito entre fazer uma pausa ou continuar.
Por vezes, abrando o ritmo para prolongar o prazer.
Outras, deixo-me levar pelo entusiasmo, e mal paro para respirar.
Esqueço-me do tempo, da vida lá fora.
Deixo que o livro tome conta de mim.
Entregue ao momento.
Segurando o meu novo amigo nas mãos com todo o carinho, passamos da sala até à minha cama, com toda a intimidade do mundo.
E seguimos juntos pela noite dentro, olhos, nas letras, de luzes apontadas para baixo.
Se forem livros de mestres, impulsionadores de almas, fazedores de borboletas,
Eu dedico-lhes atenção redobrada.
Repito todo o ritual de amor, de gratidão.
Mas desta vez, deixo de ser apenas espectadora, e interajo com eles.
Leio-os sempre, munida de papel e caneta.
De cada vez que a emoção aflora, sei que aquele parágrafo foi reconhecido pela minha alma.
São lembretes de casa, de suma importância.
Por isso sublinho-os, tomo notas.
Leio e releio, vezes sem conta, por forma a absorver cada réstia daquela luz.
Por vezes a luz é tão forte, que sou obrigada a fechar os olhos.
Para poder sentir, a preciosidade do momento.
Nesses momentos, lágrimas de gratidão caem por cima das páginas do meu amigo.
Que em silêncio, sem se importar, as absorve .
Noutra alturas, é-me revelada tamanha beleza, que dou por mim a sorrir.
Encantada...
Como agora.
Neste preciso momento em que escrevo.
Sorrio por também eu poder partilhar, estes momentos, em que sou extremamente feliz.Verificar ortografia
Após cada encontro com os meus amigos de papel, termino como comecei.
Pousados sobre o meu colo, acaricio-lhes a capa, e agradeço à vida pelo nosso encontro.
Encaixo-os nas prateleiras, junto a outros amigos, e sempre que bate a saudade,
Sempre que recordo como me ajudaram em tantos momentos, vou buscá-los.
Tal como no primeiro encontro,volto a envolvê-los de carícias,
Mas desta vez, sinto um arrepio a percorrer todo o meu ser.
Como se fosse um reconhecimento por parte do meu amigo.


Que sabe, que iremos partilhar novamente


Maravilhosos momentos...


Cláudia

A TEMPESTADE


A vida oscila como um pêndulo, entre águas tranquilas e tempestades.
E se eu me permito boiar quanto tudo é calmo,
Deixando-me ir ao sabor da corrente,
Olhando o céu, agradecendo por tudo, acreditando que será assim para sempre,
Desejando que o sol não pare de brilhar, que nuvem alguma venha ensombrar o meu passeio,
E que nada me venha retirar do meu conforto...
O mesmo não se passa quando o pêndulo da vida, que tem o seu próprio ritmo,
E que não pode ficar parado, se começa a deslocar no sentido oposto.
E eu sei que é assim.
Mas mal começo a sentir a ondulação, eu fujo.
De medo.
Consigo pressentir ao longe, as ondas gigantes que se aproximam sem dó nem piedade.
E sei que são para mim.
Sinto no ar o sopro do vento, anunciando com assobios, avisos de tempestade.
E sei que fala para mim.
Olho para o céu, agora cinzento, povoado de nuvens,
E sei que terei de enfrentar a trovoada.
E mesmo sabendo de cor, que é a vida que manda,
Eu nado, com todas as minhas forças, contra a maré.
Tento o impossível...
E quanto mais nado, mais me afundo.
E quanto mais luto, mais me canso.
Quanto mais tento reverter o sentido do pêndulo, mais me encontro no seu extremo oposto.
Vou buscar as armas, chamo os aliados, reúno os exércitos.
E resisto, resisto, resisto, até não poder mais...
E esqueço-me por momentos, que a minha batalha é inútil.
Que nunca terei forças para mudar o curso da vida.
Porque a vida é a dona do meu destino.
Só ela sabe o que é melhor para mim.
Só ela sabe qual o meu porto.
Só ela sabe que o sol, é tão necessário para a minha viagem, quanto as tempestades.
Só ela conhece a força oculta do outro lado das nuvens.
E eu, que já naveguei tantas vezes por entre mares revoltos,
Continuo com medo de me afogar...
Mas a vida que me acompanha desde, e para todo o sempre,
Que me conhece, como ninguém...
Não me dá tréguas, e avança, com todas as forças na minha direcção.
Lançando sobre mim, ondas gigantescas, ventos implacavéis, e trovões ensurdecedores.
Olhando para trás, sei que não posso recuar.
Por mais que procure, não encontro bóias algumas, nem um tronco à deriva sequer.
Levanto os olhos para o céu, em busca de um farol, uma estrela guia, de luz.
E...nada.
Desta vez, a tempestade terá de ser atravessada sem quaisquer mapas ou guias.
Porque a vida quer.
Porque a vida sabe, que eu sei nadar.
Não importando a dimensão da tempestade, ou a velocidade do vento,
Ela sabe, que eu vou sobreviver.
A vida decidiu fazer-me passar por todas as oscilações do pêndulo,
Por forma a que eu possa perceber, que é no meio,
Exactamente no meio,
Que eu vou encontrar, o melhor que a vida tem para me dar.
Porque a vida, deu-me umas asas enormes.
E sabe...
Que tanto eu, como tu, sabemos ...
Voar...

Cláudia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

SIMPLES ASSIM


Eu hoje estou com pouca fé, falta-me a esperança.
Ainda assim o meu coração impele-me para diante, e não quer que eu desista.
Hoje em dia já me restam poucos sonhos.
Apenas coisas simples.Como simples, é o meu coração...
Uma casinha confortavél, perto do campo e do mar, animais á minha volta, domésticos e selvagens.
Um companheiro que me ame, tanto, tanto! E que eu ame também, tanto quanto ele.
Um trabalho que me traga alegria e prazer, a mim e aos outros.
Comidinhas boas á volta da mesa, a visita de amigos daqueles, que não precisam de cerimónias.
Música alegre, á minha volta, roupas leves e esvoaçantes.
E mais nada.Eu não peço mais nada.
Apenas isso...
Apenas esse amor, essa sensação de pertença, e essa paz.
Eu queria tanto ainda ser feliz nesta vida...

Cláudia

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

LAÇOS INFINITOS





Existe dentro do meu coração, um lugar onde guardo os meus laços infinitos.
Laços etéreos, que não têm peso e nem medida.
Que não são visíveis, que palavra alguma poderá descrever.
São laços que me ajudam a viver na Terra, com a certeza que vim do céu.
São laços que me ligam a outros corações.
Corações, que choram, que riem, e que se aflijem como o meu...
Mas que se distinguem dos outros corações, porque o fazem comigo.
Olhares que choram, que riem, e que se assustam, como eu...
Mas diferentes dos outros olhares, porque conseguem ver a minha alma.
Braços que abraçam, que seguram, e que apertam, como os meus...
Mas são braços nos quais eu me sinto segura, pois também eles tocaram os meus.
Foram esses corações, com esses olhares profundos, e esses abraços apertados, que me mostraram o amor que existe dentro de mim.
Sempre que me esqueci, que sou amor.
Sempre que me senti, distante desse amor.
Hoje, um desses laços parte para longe, e eu sinto-me desfeita.
Agarro-me aos laços, e aperto os nós com todas as minhas forças.
Sou invadida pelo apêgo, e não quero soltar...
Não tenho coragem de me despedir, entre soluços.
O amor que existe dentro de mim, doi muito.
É por isso que por vezes eu já não quero saber do amor.
Não quero mais laços, não abro o meu coração, desvio os olhares, e enfio as mãos nos bolsos.
Mas os laços que já colhi, são infinitos, não há meio de serem desfeitos...
Que irá restar de mim, quando todos os laços tiverem partido?
Quem restará para me dizer que eu tenho todo este amor aqui dentro?
De cada vez que um laço se afasta de mim, nesta vida de constante mudança,
Eu fico a pensar que tamanho terá o meu coração.
Porque cada um leva um pedaço de mim, e eu sinto-me cada vez mais pequena.
Como quando era criança, e vi tudo e todos os que amei partirem.
Um a um...
E como me senti impotente, nesses momentos desoladores.
Mas foram estes laços infinitos que me ajudaram a reunir partes que julgava perdidas para sempre.
Que me ajudaram a ter esperança outra vez, que me limparam as lágrimas
Que me mostraram que as minhas fraquezas eram afinal, a minha força.
E agora, justamente agora, que me sinto perdida outra vez, eles vão para longe.
Sentindo-me outra vez abandonada e só, escuto em silêncio , a voz do meu anjo...





"Os laços infinitos apareceram para te lembrar quem és e de onde vens.
Para te mostrar que o teu coração é tão imenso, e tão precioso, que tem de ser espalhado pelo mundo, pelos laços que já tocaram o teu.
Tal como o coração dos teus laços, que irão permanecer contigo, para sempre, para que os espalhes, por onde quer que vás.
Por isso são infinitos.
E se antes eras uma criança, que se sentia impotente,
Hoje sabes que outros laços virão, para que juntes aos que já criaste.
Esses que sabes que nunca mais vais perder.
Aqueles que em criança, julgaste ter perdido.
E vais perceber que o amor nunca perde.
Que o amor, não tem tamanho, e nem distância.
E que afinal todos os laços, estão dentro de ti, e que sempre que o amor doi, é apenas para te lembrar, que o laço infinito, que julgavas ter perdido,
És... TU."


Cláudia
(Dedico, a vocês, Eve e Méa.Meus laços infinitos de luz...)

sábado, 15 de outubro de 2011

UM DIA PARA TI




Hoje decidi dedicar-te o dia.
Decidi largar o machado, e oferecer-me um pouco de paz.
Dei descanso aos meus olhos e tranquei o caudal de lágrimas.
Proibi as perguntas e as preocupações com o futuro, e silenciei a minha mente.
Hoje, decidi abrir-te as portas do meu coração dorido, e pude sentir-te enfim...
Estive atenta à tua presença, e pude ver-te em tudo.
Mergulhei no teu mar, a príncipio com medo, porque hoje o teu mar estava bravo.
Como bravas têm estado as minhas emoções, tão cheias de medo...
E como soube bem mergulhar nessas ondas, ver essa espuma linda e tão branca, tão pura...
Saí, para me aquecer no teu sol.
Esse sol tão lindo e tão aconchegante...
Esse sol que eu persigo, sempre que a sombra me obriga a fazer face a todas as coisas para as quais eu recuso olhar.
E assim entregue, e exposta ao teu calor, enterrei fundo as mãos na areia.
Para te sentir comigo, presente, para me sentir segura, com raízes.
Para que soubesses, que sim, cada grão de areia teu, conta, para mim...
E de repente, a praia, que escolhi para ir ao teu encontro, ficou completamente vazia.
Só nós dois...
E então pude fechar os olhos, ainda que hesitante, não fosse alguém aparecer de repente, e ver-me assim ausente, ainda que tão presente...
E ali fiquei a ouvir o som das ondas a bater nas rochas, sem que elas pudessem fazer nada para impedir tal invasão.
Conformadas de que o mar é senhor, e que elas terão de se ir moldando à sua vontade.
Transformando-se uma dia em pedras, areia, pó...
Como este corpo, que me transporta, e que um dia irá desaparecer, consoante a vontade da vida.
Percebi que somos os únicos na natureza a resistir.
Até mesmo um balde , que um dia serviu para fazer castelos de areia, boiava, sem se importar, umas vezes, para cima outras para baixo.
Resolvi intervir, salvá-lo do seu destino de fundo do mar.
Fui buscá-lo, pensando fazer uma surpresa à criança que lá for amanhã.
Imaginei o seu sorriso, e também os castelos que ainda poderá construir.
A pouco e pouco, a maré foi subindo, e a sombra foi tomando o lugar do sol.
Olhei longamente para aquele lugar mágico, e agradeci por me ter recebido.
Chegando a casa resolvi encher um pouco a banheira, e deitei-me de olhos fechados.
Fui invadida por uma paz profunda.
Com a cabeça mergulhada em silêncio, fiquei ali a ouvir as batidas do meu coração.
E respirei fundo.Tão fundo, tão profundamente...
E senti-me tão protegida outra vez.
Como quando estava no útero da minha mãe.Certamente...
Senti-me no nada.Tão cheia de tudo.
Nua, sem medo, sem vergonha, sem frio, sem solidão, sem divisões.
Ali, comigo.Contigo...
UNA.
Vesti-me, e voltei para um passeio na praia, outra praia.
Com as minhas amigas de todas as horas, as únicas testemunhas das minhas batalhas contra o fracasso.
Duas caudinhas a abanar, duas antenas fidedignas de amor incondicional.
E voltei para a rua diferente.Tão cheia do teu amor...
Olhei para cada pessoa com profundo respeito, com gratidão, senti-me ligada a todas elas.
E em silêncio disse a cada uma na minha mente, eu amo-te...
E sei que é assim que tu sentes, e nos vês a todos.
E quero sentir-me assim todos os dias.
Quero amar, como tu...
Depois de ver o pôr do sol que fizeste para nós, regressei a casa.
E fui reunir fotografias de tanta beleza que me tens permitido ver, todos os dias.
E fiz um albúm intitulado, " O amor está em todo o lado"
Há muito que eu o queria fazer, e resolvi que não ia adiar mais.
Tinha de ser hoje, o dia que dediquei para ti...
E é também a ti, que resolvi dedicar estas palavras, dedicar-te todo este amor.
Que sinto, por ti...
Daqui a pouco vou olhar para o céu, e ver que noite pintaste hoje para nós.
Vou mergulhar outra vez no silêncio e observar-te nas estrelas.
E depois de receber a tua luz, vou olhar para dentro do meu céu.
E pode ser que hoje, pela primeira vez, eu veja a tua luz dentro de mim.
E que perceba enfim, que eu também sou uma estrela, um grão de areia, uma onda, um raio de sol, a sombra, o silêncio, luz...
E se me puderes conceder um só desejo, eu peço-te, estrela cadente, que transformes, o eu, e o tu, num definitivo nós.
Porque eu nunca mais me quero sentir separada, e nem dividida.
Eu quero transformar todos os dias da vida que me restam, em dias "nossos".
De todos, de tudo.




Por ti, por mim, por todos nós...




Cláudia.