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quarta-feira, 4 de julho de 2012

A VIAGEM




Olhando do alto das nuvens mais brancas do céu, a minha alma olhou para baixo e viu novamente o lindo planeta azul.
Recordou as árvores, o oceano, as flores e todos os animais que ali habitam.
Escutou o sopro do vento, o rugido dos trovões, e o barulho da chuva.
Voltou a sentir o cheiro da terra molhada, a frescura da relva e o calor da areia nos pés.
Lembrou-se do sol, da lua e das estrelas e soube que se resolvesse saltar, teria de olhar para cima e não para baixo, sempre que os quisesse contemplar.
Sentiu profundamente a vulnerabilidade do mundo emocional ao qual estaria sujeita, se decidisse mergulhar.
Os desafios, as duvidas, os obstáculos, os retrocessos e os avanços que teria de enfrentar.
Sabia a dura prova que a aguardava de estar dividida e não mais inteira, a ter de vivenciar a dualidade dos opostos.
Hesitou muito, por estar consciente da dor do  esquecimento de quem era, e que iria ter de  deixar metade de si própria no lar até que fizesse a conexão, sem quaisquer garantias de ser bem sucedida.
Recordava a saudade imensa das suas raízes...
E que seria essa saudade abençoada, tão dolorosa e solitária que iria servir de farol, e  que  iria impulsiona-la a encontrar o caminho de regresso à totalidade de quem era.
Sabia que trazia algo de absolutamente necessário para a Terra, que só ela poderia dar, pois faz parte de uma orquestra gigantesca , que nunca tocará em harmonia, sem o instrumento que ela carrega.
Pensou nas limitações do corpo, e que enquanto cá estivesse, não iria poder voar...
Por fim, recordou as outras almas que habitavam o planeta e toda ela se iluminou!
Estava comprometida com o amor, e sabia que a sua chegada era esperada e celebrada em todos os cantos do universo.
Perdeu todas as hesitações, e olhando uma vez mais para todo o povo do céu que ali se havia reunido para se despedir, saltou para o vórtice mais uma vez.
Não veio só...
Está sempre rodeada de anjos.
Para  a relembrar que o corpo que vê reflectido no espelho, é apenas um disfarce para o anjo que ela é, e que um dia, no dia que ela escolher, ira deixar para trás o disfarce, abrir as suas asas gigantes e poder enfim regressar de volta às nuvens mais brancas do céu.
De volta à fonte do mesmo amor que a trouxe à Terra.
E fará esta viagem até que todo o céu seja trazido à Terra.
Até que a musica das esferas seja cantada e conhecida por todos.
Até que metade da Terra seja amor, e a outra metade também...

Cláudia.

sábado, 30 de junho de 2012

LOVE VIBRATION


Canta comigo...

Raa- Sun
Maa- Moon
Daa- Earth 
Saa- Impersonal infinity
Saa Say- Totally of infinity
So- Personal sense of merger and identity
Hung- The infinite vibrating and real

A MENTIRA





A minha vida tem sido uma perfeita confusão.
Uma perfeita mentira...
Quarenta anos, a correr, sem saber para onde, sem saber porquê.
Mudei de países, de empregos, de amantes, de casas, de cortes de cabelo, de maneiras de vestir, de amigos.
Mudei tudo, e mudei sempre drásticamente, sem aviso prévio.
Porque já não aguentava o desespero, de nunca encontrar nada, nem ninguém que me satisfizesse, que me devolvesse, o meu sentido de valor, que me desse o amor, que eu tanto almejava.
Sem nunca perceber, que ainda que quisessem, não podiam, ninguém pode.
Mas eu não sabia, não me lembrava, não queria acreditar nisso.
Isso, iria implicar que eu me encontrasse face a face com a verdade.
Mas será que eu estava disposta a ouvir a verdade, que eu tanto buscava?
Como é que eu poderia entender que aquilo que eu via era distorcido?
Uma ilusão?
Como admitir que era eu, afinal a causadora de toda a dor que me infligia?
Isso, implicaria eu ter de me encontrar face a face, com a verdade.
E a verdade, é que eu nunca me amei, e nem nunca amei ninguém.
De verdade.
E nem podia. Eu não sabia que eu... era o amor que procurava.
Enquanto continuasse a pedir aos outros, à vida e a Deus, que fizesse o meu trabalho.
E Deus, que me conhece, que sabe como eu gosto de fugir, e como sou resistente à verdade, fez com que tudo na minha vida, ruisse.
Mais cedo ou mais tarde...
E sempre, graças a mim mesma.
E eu, sempre culpando tudo e todos, pelos meus fracassos.
E quanto mais eu resistia, pior as coisas se tornavam.
Mas eu nasci guerreira, e fiz do palco da vida um campo de batalha.
Perdida...
A cada tempestade, eu içava a âncora, e partia à conquista de novos horizontes.
Apenas para perceber, ao fim de algum tempo, que as tempestades, estavam dentro de mim.
E que fosse eu para onde fosse, elas iam comigo, e eu, com elas...
Quanto mais o tempo passava, mais as batalhas eram sangrentas, mais inimigos eu ia encontrando, e mais eu me ia afogando em mentiras.
Sem perceber que os inimigos que ia encontrando eram afinal aliados.
Almas corajosas, que assumiam o papel de me provocar derrocadas.
Que arriscavam enfrentar a minha raiva, o meu julgamento, a minha intolerância, o meu desdém.
Que me abandonavam, para que eu percebesse, como me abandonava.
Que me mentiam para que eu percebesse como mentia a mim mesma.
Que me faltavam ao respeito para que eu aprendesse a respeitar-me.
Espelhos fidedignos de tudo o que eu fazia a mim mesma.
Para que eu me visse...Que olhasse para mim.
E eu lamentando a minha sorte, achando que tudo me era devido.
Sentindo-me maltratada e injustiçada pela vida...
Que sabiam que também se iam ferir, porque eu era implacavél.
Com elas, e claro, comigo.
Todas as batalhas me puseram frente a frente, com tudo o que eu mais negava.
A minha vulnerabilidade, a minha sensibilidade, a minha imperfeição.
A minha força, que eu negava uma e outra vez.
E a cada batalha, eu ia usando máscaras cada vez mais sofisticadas.
E quanto mais máscaras eu usava, mais me esquecia da minha verdadeira face.
E após cada batalha perdida, que eu não desejava, mas que a minha alma exigia,
Eu era obrigada a mergulhar mais fundo, cada vez mais fundo...
E quanto mais fundo o mergulho, mais vinha à superfície, o medo.
O medo de ver que a verdade, é que eu nutria por mim um ódio profundo.
Um ódio por nunca ter sido o que os outros esperavam de mim.
De nunca ter correspondido às expectativas dos outros.
Da família, da sociedade, dos amigos, dos patrões.
De nunca ter sido nada, do que este mundo esperava de mim.
De sempre desiludir os outros, o fora de mim.
Como poderia eu continuar a viver comigo, sem gostar de mim?
E essa ida ao fundo de mim, essa constatação de que nunca estarei à altura de agradar quem quer que seja, levou-me a um outro caminho.
A um caminho onde retiro os outros do palco, e resolvo escrever um novo guião.
Um caminho, que não tem volta, livre do peso do passado.
Um caminho completamente desconhecido, ao sabor do vento.
 não me lamento pelos sonhos desfeitos, nem quero regressar a lugares onde já estive.
A cada dia que passa, faço os lutos que ficaram por fazer.
Se dói, deixo doer...
 não quero saber tudo, já não me incomodam tanto as incertezas.
E a pouco e pouco, vou olhando para o meu reflexo no espelho e consigo amar o que vejo.
Reconheço os olhos de uma alma muito antiga...
Guerreira da luz, amada por todo o Universo.
Sei que este planeta reconhece os meus passos...
Sei que a minha presença aqui é louvada por cada pássaro, cada flor, cada árvore, e todas as estrelas do céu.
Sinto na natureza, o pulsar da minha imortalidade divina, e sei que tenho Deus dentro de mim.
Sei que trago dentro de mim apenas uma parte,a parte exacta que as limitações do meu corpo agora humano, pode conter.
E essa parte veio cumprir uma missão e está preparada para ela.
Uma missão de Paz, de Amor e de Compaixão.
Por onde começo?
Por mim...
Começo por amar a parte de mim que é humana, e imperfeita, iluminando-a com a divindade que eu sou.
Aceito-a, amo a minha dualidade.
Acendo dentro de mim a pequena luz que trouxe do céu.
E quando tudo estiver iluminado,dentro de mim, espalharei a luz mais bonita que o mundo alguma vez viu!
E sonho algum que alguma vez eu possa ter tido na minha pequena mente, poderá  competir com o propósito da minha  Alma.
E hoje percebo que valeu a pena não me ter tornado nada do que o mundo esperava de mim.
Como poderia o amor que eu sou conhecer-se, sem entrar em contacto com o seu oposto?
Como poderia a compaixão existir, se não conhecesse precipícios? 
Que utilidade teria a paz, se nunca tivesse encontrado conflitos?
Como poderia eu fazer brilhar a minha luz, se não tivesse entrado no escuro?
Acredito que faço parte de uma raça chamada humanidade, que é divina.
Acredito que existe vida em tudo o que existe no universo, mas que a raça humana e apenas ela, tem livre-arbítrio.
Uma enorme responsabilidade, que demonstra um profundo respeito por quem somos e aquilo que representamos.
Nenhum ser-humano tem papéis secundários, a não ser que assim o escolha.
Acredito que esta nas nossas mãos mudarmos o mundo e salvarmos este planeta.
Temos o dever de acender a nossa luz.
A nossa missão, é a de trazer amor do céu, a um planeta carente de amor, que nos tem amado nutrido e sustentado há séculos.
Todo o povo do céu conta connosco para esta tarefa, e estão todos aqui para nos ajudar.
Não posso ainda dizer que me amo na totalidade, no entanto hoje sei que a totalidade me ama.
 não me sinto só, quando estou só, porque a cada dia que passa estou mais cheia de mim.
Agora eu sei, que tive de viver vidas de mentira, por forma a chegar enfim, à minha verdade...
Consigo agradecer pelo caminho percorrido, com a certeza de que deixarei este mundo melhor do que quando cá cheguei.E que foi para isso que eu vim...




Claudia

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ESTAVAS DESTINADO





Tudo isto:

é uma preparação para caminhar no mundo como Luz.

Foste agora encontrado,

e o curso de muitas vidas terminou.

Assim, à medida que cada camada de pó

é limpa da superfície,

o Tu que conheceste deve dispersar.

Deixa esta Luz tornar-se

o Teu discurso e o Teu silêncio.

Deixa a tristeza que te viveu, passar.

Deixa as pessoas que Te amam,

amarem-se a Si próprias.

Deixa a terra tremer, arderem as estrelas

romperem-se os céus quando Tu o fizeres.

Por mais dolorosa que seja esta parte,

Estavas destinado a conhecer a tua Luz...


( Em Claire)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A SOMBRA



Não obstante a nossa mente poder dizer-nos que mau é mau, e bom é bom, que nunca poderemos ser realmente tudo aquilo que sonhámos ser, se a nossa sombra fosse capaz de falar dir-nos-ia uma coisa bem diferente.



Dir-nos-ia que a nossa luz mais brilhante só pode brilhar quando aceitamos as nossas trevas.



Assegurrar-nos-ia da existência de sabedoria em todas as nossas feridas.



Mostrar-nos-ia que a vida é uma jornada mágica para fazer as pazes tanto com a nossa humanidade como com a nossa divindade.



A nossa sombra dir-nos ia que merecemos melhor, que somos importantes, que somos mais do alguma vez sonhámos ser possível e que há luz no fundo do túnel.



Aceitando a nossa sombra, descobrimos que estamos a viver um plano divino, um plano tão importante e tão vital para a nossa evolução pessoal quanto o é para a evolução da humanidade.



Tal como a flor de lótus que nasce da lama, devemos honrar as zonas mais obscuras de nós e as experiências mais dolorosas da nossa vida, pois elas são aquilo que nos permite dar luz ao nosso "eu" mais maravilhoso.



Precisamos do nosso passado sujo e lamacento, do lodo da nossa vida humana- da combinação de todas as mágoas, feridas, perdas e desejos não realizados, misturados com todas as alegrias, sucessos e bêncãos-, para obter a sabedoria, a perspectiva e a motivação necessárias para entrar na mais magnífica expressão de nós próprios.



É esta a dádiva da sombra.



( Debbie Ford- A Luz e a Sombra )

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ADVERSÁRIO




Para lutar, é preciso ter os olhos bem abertos.

E ter companheiros fiéis ao seu lado.

Acontece, que de repente, aquele que lutava ao lado do guerreiro da luz passa a ser seu adversário.

A primeira reacção é de ódio; mas o guerreiro sabe que o combatente cego está perdido no meio da batalha.

Então procura ver as coisas boas que o aliado fez durante o tempo em que conviveram; tenta compreender o que levou à súbita mudança de atitude, quais os ferimentos que se acumularam na sua alma.

Procura descobrir o que fez um dos dois desistir do diálogo.

Ninguém é bom ou mau; o guerreiro pensa nisso quando vê que tem um novo adversário...




(Paulo Coelho- O guerreiro da Luz)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MOMENTOS


Há momentos em que sou extremamente feliz.
Momento mágicos, íntimos e profundos...
Gosto de entrar nas livrarias, de sentir o cheiro do papel.
De percorrer com o olhar as prateleiras, à procura do tesouro que irei levar para casa, desta vez.
Sinto-os como seres vivos, e fico à espera que me escolham.
Porque como seres vivos que são, cheios de sabedoria, eles sabem sempre o que preciso ouvir.
Naquele momento...
Abrem-se nas minhas mãos, precisamente na página que contém a frase com as respostas para as perguntas, que tenho vindo a fazer.
Sentem, como se abre o meu coração, invadido pelo entusiasmo de levar para casa um novo amigo.
Ambos sabemos que fazemos parte, um do outro, e que partilharemos momentos só nossos.
E que um só existe, por causa do outro.
Uma vez a escolha feita, gosto de lhes acariciar a capa, antes de os abrir.
Para que saibam que são queridos, como são os meus amigos.
Fico preenchida por uma imensa gratidão, por saber que alguém, do outro lado do mundo, teve prazer, em dar-me prazer.
Grata pela entrega,pela partilha de palavras escritas, nas quais eu me deleito.
Momentos mágicos, nos quais eu paro tudo, e apenas sou.
Se forem livros de histórias, eu mergulho de cabeça, e deixo-me embalar.
Leio de fio a pavio, envolvo-me, emociono-me.
Vivo cada parêntese, cada vírgula...
Arregalo os olhos perante cada ponto de exclamação.
Franzo o sobrolho, perante cada ponto de interrogação.
No fim de cada capítulo, hesito entre fazer uma pausa ou continuar.
Por vezes, abrando o ritmo para prolongar o prazer.
Outras, deixo-me levar pelo entusiasmo, e mal paro para respirar.
Esqueço-me do tempo, da vida lá fora.
Deixo que o livro tome conta de mim.
Entregue ao momento.
Segurando o meu novo amigo nas mãos com todo o carinho, passamos da sala até à minha cama, com toda a intimidade do mundo.
E seguimos juntos pela noite dentro, olhos, nas letras, de luzes apontadas para baixo.
Se forem livros de mestres, impulsionadores de almas, fazedores de borboletas,
Eu dedico-lhes atenção redobrada.
Repito todo o ritual de amor, de gratidão.
Mas desta vez, deixo de ser apenas espectadora, e interajo com eles.
Leio-os sempre, munida de papel e caneta.
De cada vez que a emoção aflora, sei que aquele parágrafo foi reconhecido pela minha alma.
São lembretes de casa, de suma importância.
Por isso sublinho-os, tomo notas.
Leio e releio, vezes sem conta, por forma a absorver cada réstia daquela luz.
Por vezes a luz é tão forte, que sou obrigada a fechar os olhos.
Para poder sentir, a preciosidade do momento.
Nesses momentos, lágrimas de gratidão caem por cima das páginas do meu amigo.
Que em silêncio, sem se importar, as absorve .
Noutra alturas, é-me revelada tamanha beleza, que dou por mim a sorrir.
Encantada...
Como agora.
Neste preciso momento em que escrevo.
Sorrio por também eu poder partilhar, estes momentos, em que sou extremamente feliz.Verificar ortografia
Após cada encontro com os meus amigos de papel, termino como comecei.
Pousados sobre o meu colo, acaricio-lhes a capa, e agradeço à vida pelo nosso encontro.
Encaixo-os nas prateleiras, junto a outros amigos, e sempre que bate a saudade,
Sempre que recordo como me ajudaram em tantos momentos, vou buscá-los.
Tal como no primeiro encontro,volto a envolvê-los de carícias,
Mas desta vez, sinto um arrepio a percorrer todo o meu ser.
Como se fosse um reconhecimento por parte do meu amigo.


Que sabe, que iremos partilhar novamente


Maravilhosos momentos...


Cláudia

A TEMPESTADE


A vida oscila como um pêndulo, entre águas tranquilas e tempestades.
E se eu me permito boiar quanto tudo é calmo,
Deixando-me ir ao sabor da corrente,
Olhando o céu, agradecendo por tudo, acreditando que será assim para sempre,
Desejando que o sol não pare de brilhar, que nuvem alguma venha ensombrar o meu passeio,
E que nada me venha retirar do meu conforto...
O mesmo não se passa quando o pêndulo da vida, que tem o seu próprio ritmo,
E que não pode ficar parado, se começa a deslocar no sentido oposto.
E eu sei que é assim.
Mas mal começo a sentir a ondulação, eu fujo.
De medo.
Consigo pressentir ao longe, as ondas gigantes que se aproximam sem dó nem piedade.
E sei que são para mim.
Sinto no ar o sopro do vento, anunciando com assobios, avisos de tempestade.
E sei que fala para mim.
Olho para o céu, agora cinzento, povoado de nuvens,
E sei que terei de enfrentar a trovoada.
E mesmo sabendo de cor, que é a vida que manda,
Eu nado, com todas as minhas forças, contra a maré.
Tento o impossível...
E quanto mais nado, mais me afundo.
E quanto mais luto, mais me canso.
Quanto mais tento reverter o sentido do pêndulo, mais me encontro no seu extremo oposto.
Vou buscar as armas, chamo os aliados, reúno os exércitos.
E resisto, resisto, resisto, até não poder mais...
E esqueço-me por momentos, que a minha batalha é inútil.
Que nunca terei forças para mudar o curso da vida.
Porque a vida é a dona do meu destino.
Só ela sabe o que é melhor para mim.
Só ela sabe qual o meu porto.
Só ela sabe que o sol, é tão necessário para a minha viagem, quanto as tempestades.
Só ela conhece a força oculta do outro lado das nuvens.
E eu, que já naveguei tantas vezes por entre mares revoltos,
Continuo com medo de me afogar...
Mas a vida que me acompanha desde, e para todo o sempre,
Que me conhece, como ninguém...
Não me dá tréguas, e avança, com todas as forças na minha direcção.
Lançando sobre mim, ondas gigantescas, ventos implacavéis, e trovões ensurdecedores.
Olhando para trás, sei que não posso recuar.
Por mais que procure, não encontro bóias algumas, nem um tronco à deriva sequer.
Levanto os olhos para o céu, em busca de um farol, uma estrela guia, de luz.
E...nada.
Desta vez, a tempestade terá de ser atravessada sem quaisquer mapas ou guias.
Porque a vida quer.
Porque a vida sabe, que eu sei nadar.
Não importando a dimensão da tempestade, ou a velocidade do vento,
Ela sabe, que eu vou sobreviver.
A vida decidiu fazer-me passar por todas as oscilações do pêndulo,
Por forma a que eu possa perceber, que é no meio,
Exactamente no meio,
Que eu vou encontrar, o melhor que a vida tem para me dar.
Porque a vida, deu-me umas asas enormes.
E sabe...
Que tanto eu, como tu, sabemos ...
Voar...

Cláudia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

SIMPLES ASSIM


Eu hoje estou com pouca fé, falta-me a esperança.
Ainda assim o meu coração impele-me para diante, e não quer que eu desista.
Hoje em dia já me restam poucos sonhos.
Apenas coisas simples.Como simples, é o meu coração...
Uma casinha confortavél, perto do campo e do mar, animais á minha volta, domésticos e selvagens.
Um companheiro que me ame, tanto, tanto! E que eu ame também, tanto quanto ele.
Um trabalho que me traga alegria e prazer, a mim e aos outros.
Comidinhas boas á volta da mesa, a visita de amigos daqueles, que não precisam de cerimónias.
Música alegre, á minha volta, roupas leves e esvoaçantes.
E mais nada.Eu não peço mais nada.
Apenas isso...
Apenas esse amor, essa sensação de pertença, e essa paz.
Eu queria tanto ainda ser feliz nesta vida...

Cláudia

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

LAÇOS INFINITOS





Existe dentro do meu coração, um lugar onde guardo os meus laços infinitos.
Laços etéreos, que não têm peso e nem medida.
Que não são visíveis, que palavra alguma poderá descrever.
São laços que me ajudam a viver na Terra, com a certeza que vim do céu.
São laços que me ligam a outros corações.
Corações, que choram, que riem, e que se aflijem como o meu...
Mas que se distinguem dos outros corações, porque o fazem comigo.
Olhares que choram, que riem, e que se assustam, como eu...
Mas diferentes dos outros olhares, porque conseguem ver a minha alma.
Braços que abraçam, que seguram, e que apertam, como os meus...
Mas são braços nos quais eu me sinto segura, pois também eles tocaram os meus.
Foram esses corações, com esses olhares profundos, e esses abraços apertados, que me mostraram o amor que existe dentro de mim.
Sempre que me esqueci, que sou amor.
Sempre que me senti, distante desse amor.
Hoje, um desses laços parte para longe, e eu sinto-me desfeita.
Agarro-me aos laços, e aperto os nós com todas as minhas forças.
Sou invadida pelo apêgo, e não quero soltar...
Não tenho coragem de me despedir, entre soluços.
O amor que existe dentro de mim, doi muito.
É por isso que por vezes eu já não quero saber do amor.
Não quero mais laços, não abro o meu coração, desvio os olhares, e enfio as mãos nos bolsos.
Mas os laços que já colhi, são infinitos, não há meio de serem desfeitos...
Que irá restar de mim, quando todos os laços tiverem partido?
Quem restará para me dizer que eu tenho todo este amor aqui dentro?
De cada vez que um laço se afasta de mim, nesta vida de constante mudança,
Eu fico a pensar que tamanho terá o meu coração.
Porque cada um leva um pedaço de mim, e eu sinto-me cada vez mais pequena.
Como quando era criança, e vi tudo e todos os que amei partirem.
Um a um...
E como me senti impotente, nesses momentos desoladores.
Mas foram estes laços infinitos que me ajudaram a reunir partes que julgava perdidas para sempre.
Que me ajudaram a ter esperança outra vez, que me limparam as lágrimas
Que me mostraram que as minhas fraquezas eram afinal, a minha força.
E agora, justamente agora, que me sinto perdida outra vez, eles vão para longe.
Sentindo-me outra vez abandonada e só, escuto em silêncio , a voz do meu anjo...





"Os laços infinitos apareceram para te lembrar quem és e de onde vens.
Para te mostrar que o teu coração é tão imenso, e tão precioso, que tem de ser espalhado pelo mundo, pelos laços que já tocaram o teu.
Tal como o coração dos teus laços, que irão permanecer contigo, para sempre, para que os espalhes, por onde quer que vás.
Por isso são infinitos.
E se antes eras uma criança, que se sentia impotente,
Hoje sabes que outros laços virão, para que juntes aos que já criaste.
Esses que sabes que nunca mais vais perder.
Aqueles que em criança, julgaste ter perdido.
E vais perceber que o amor nunca perde.
Que o amor, não tem tamanho, e nem distância.
E que afinal todos os laços, estão dentro de ti, e que sempre que o amor doi, é apenas para te lembrar, que o laço infinito, que julgavas ter perdido,
És... TU."


Cláudia
(Dedico, a vocês, Eve e Méa.Meus laços infinitos de luz...)

sábado, 15 de outubro de 2011

UM DIA PARA TI




Hoje decidi dedicar-te o dia.
Decidi largar o machado, e oferecer-me um pouco de paz.
Dei descanso aos meus olhos e tranquei o caudal de lágrimas.
Proibi as perguntas e as preocupações com o futuro, e silenciei a minha mente.
Hoje, decidi abrir-te as portas do meu coração dorido, e pude sentir-te enfim...
Estive atenta à tua presença, e pude ver-te em tudo.
Mergulhei no teu mar, a príncipio com medo, porque hoje o teu mar estava bravo.
Como bravas têm estado as minhas emoções, tão cheias de medo...
E como soube bem mergulhar nessas ondas, ver essa espuma linda e tão branca, tão pura...
Saí, para me aquecer no teu sol.
Esse sol tão lindo e tão aconchegante...
Esse sol que eu persigo, sempre que a sombra me obriga a fazer face a todas as coisas para as quais eu recuso olhar.
E assim entregue, e exposta ao teu calor, enterrei fundo as mãos na areia.
Para te sentir comigo, presente, para me sentir segura, com raízes.
Para que soubesses, que sim, cada grão de areia teu, conta, para mim...
E de repente, a praia, que escolhi para ir ao teu encontro, ficou completamente vazia.
Só nós dois...
E então pude fechar os olhos, ainda que hesitante, não fosse alguém aparecer de repente, e ver-me assim ausente, ainda que tão presente...
E ali fiquei a ouvir o som das ondas a bater nas rochas, sem que elas pudessem fazer nada para impedir tal invasão.
Conformadas de que o mar é senhor, e que elas terão de se ir moldando à sua vontade.
Transformando-se uma dia em pedras, areia, pó...
Como este corpo, que me transporta, e que um dia irá desaparecer, consoante a vontade da vida.
Percebi que somos os únicos na natureza a resistir.
Até mesmo um balde , que um dia serviu para fazer castelos de areia, boiava, sem se importar, umas vezes, para cima outras para baixo.
Resolvi intervir, salvá-lo do seu destino de fundo do mar.
Fui buscá-lo, pensando fazer uma surpresa à criança que lá for amanhã.
Imaginei o seu sorriso, e também os castelos que ainda poderá construir.
A pouco e pouco, a maré foi subindo, e a sombra foi tomando o lugar do sol.
Olhei longamente para aquele lugar mágico, e agradeci por me ter recebido.
Chegando a casa resolvi encher um pouco a banheira, e deitei-me de olhos fechados.
Fui invadida por uma paz profunda.
Com a cabeça mergulhada em silêncio, fiquei ali a ouvir as batidas do meu coração.
E respirei fundo.Tão fundo, tão profundamente...
E senti-me tão protegida outra vez.
Como quando estava no útero da minha mãe.Certamente...
Senti-me no nada.Tão cheia de tudo.
Nua, sem medo, sem vergonha, sem frio, sem solidão, sem divisões.
Ali, comigo.Contigo...
UNA.
Vesti-me, e voltei para um passeio na praia, outra praia.
Com as minhas amigas de todas as horas, as únicas testemunhas das minhas batalhas contra o fracasso.
Duas caudinhas a abanar, duas antenas fidedignas de amor incondicional.
E voltei para a rua diferente.Tão cheia do teu amor...
Olhei para cada pessoa com profundo respeito, com gratidão, senti-me ligada a todas elas.
E em silêncio disse a cada uma na minha mente, eu amo-te...
E sei que é assim que tu sentes, e nos vês a todos.
E quero sentir-me assim todos os dias.
Quero amar, como tu...
Depois de ver o pôr do sol que fizeste para nós, regressei a casa.
E fui reunir fotografias de tanta beleza que me tens permitido ver, todos os dias.
E fiz um albúm intitulado, " O amor está em todo o lado"
Há muito que eu o queria fazer, e resolvi que não ia adiar mais.
Tinha de ser hoje, o dia que dediquei para ti...
E é também a ti, que resolvi dedicar estas palavras, dedicar-te todo este amor.
Que sinto, por ti...
Daqui a pouco vou olhar para o céu, e ver que noite pintaste hoje para nós.
Vou mergulhar outra vez no silêncio e observar-te nas estrelas.
E depois de receber a tua luz, vou olhar para dentro do meu céu.
E pode ser que hoje, pela primeira vez, eu veja a tua luz dentro de mim.
E que perceba enfim, que eu também sou uma estrela, um grão de areia, uma onda, um raio de sol, a sombra, o silêncio, luz...
E se me puderes conceder um só desejo, eu peço-te, estrela cadente, que transformes, o eu, e o tu, num definitivo nós.
Porque eu nunca mais me quero sentir separada, e nem dividida.
Eu quero transformar todos os dias da vida que me restam, em dias "nossos".
De todos, de tudo.




Por ti, por mim, por todos nós...




Cláudia.


sábado, 1 de outubro de 2011

A SAÚDE E AS EMOÇÕES





Qual adoece primeiro: o corpo ou a alma?
A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende. Na realidade, boa parte das enfermidades são exatamente o contrário: são a resistência do corpo emocional e mental à alma. Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.

... Há emoções prejudiciais à saúde? Quais são as que mais nos prejudicam?
70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade, o denominador comum de boa parte das enfermidades que temos hoje. Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico.

Então nos fazemos de fortes e descuidamos de nossa saúde?
De heróis os cemitérios estão cheios. Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.

Como é que a raiva nos afeta?
A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à auto-afirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.

Então a alegria, ao contrário, nos ajuda a permanecer saudáveis?
A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.

A alegria acalma os ânimos?
Sim, a alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.

E a tristeza?
A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo.Tornamo-las negativas quando as reprimimos.

Convém aceitarmos essas emoções que consideramos negativas como parte de nós mesmos?
Como parte para transformá-las, ou seja, quando se aceitam, fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Que difícil! Sim, é muito difícil. Realmente as emoções básicas são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.

Como prevenir a enfermidade?
Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.

E se aparecer a doença?
Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que crêem que adoecer é fracassar.
O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.

Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?
Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciê ncia.

O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?
A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.

O que é para você a felicidade?
É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.

É importante viver no presente? Como conseguir?
Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão.

Na sua opinião, estamos tão confusos assim?
Temos três ilusões enormes que nos confundem:

Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.

Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência... Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.

Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo.

E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?
O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco.
Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor .

Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?
Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.

(Entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética.)

sábado, 17 de setembro de 2011

PROBLEMAS SEXUAIS E A BATALHA DOS SEXOS



Em essência, a sexualidade carrega um grande potencial de luz, mas por causa disso, também existe a potencialidade de um grande abuso. A história da qual quero falar é a da luta de poder entre homens e mulheres. Essa história é antiga e, na verdade, começou na época em que os impérios extra-terrestres, galácticos, começaram a interferir na vida da Terra (veja um relato detalhado desse processo na “Série Trabalhadores da Luz”, no site www.jeshua.net/por). Antes disso, a Terra era uma espécie de paraíso, o Jardim do Éden, onde prevaleciam a beleza e a inocência. Não vamos discutir essa era aqui, mas simplesmente observar que vocês estão na fase final de uma luta de poder, que é muito mais antiga do que os 5000 anos dos seus registros históricos.
Na última etapa dessa história, os homens desempenharam claramente o papel de agressores e opressores. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a mulher era muito mais poderosa, tanto na vida pública, quanto na vida privada. Ela também oprimiu a energia masculina de forma cruel e sádica. Vocês sabem que a mulher não é naturalmente o sexo oprimido ou subjugado, e nem o sexo mais amoroso. O estereótipo da mulher doce mas indefesa e do homem forte mas insensível está mais relacionado com a última fase da história que acabo de mencionar, do que com o homem e a mulher propriamente ditos.
Houve épocas, anteriores às dos seus registros históricos, nas quais as sociedades matriarcais eram vistas como um padrão. Nessas épocas, as mulheres também usaram sua energia de uma forma destrutiva, desrespeitando a força vital e a criatividade de todo ser humano. Houve um tempo em que a mulher tinha poder sobre o homem. As mulheres controlavam e manipulavam os homens, usando os poderes da emoção e intuição, com os quais elas têm uma afinidade natural. Elas também usavam suas habilidades psíquicas para controlar os homens. Havia, por exemplo, sacrifícios e rituais, onde homens eram torturados e mortos.
Quero enfatizar este aspecto, porque a sua história oficial pinta um quadro unilateral da relação entre homem e mulher. A opressão da mulher pelo homem foi evidente durante todo o período coberto pelos seus registros históricos. Mas o rancor e o ódio que os homens apresentaram (e ainda podem apresentar) contra as mulheres não veio do nada. Além das tradições e hábitos culturais que os influenciam, há também profundas feridas emocionais na alma masculina coletiva, que vêm de uma era muito mais antiga.
Sem entrar em detalhes sobre essa era, Eu gostaria de convidá-los a sentirem por si mesmos se é possível que vocês tenham experienciado isto. Para as mulheres, a pergunta é: “Vocês podem imaginar que um dia vocês exerceram poder sobre os homens e tentaram, com sucesso, controlar a energia deles?” E para os homens a pergunta é: “Vocês podem imaginar que isto aconteceu em larga escala e que vocês eram o ‘sexo fraco’?” Ao fazerem esta pergunta internamente, a si mesmos, talvez vocês recebam algumas imagens ou fantasias. Deixem a sua intuição mostrá-las para vocês e observem as emoções que vêm à tona. Isto pode ser surpreendente.
O ódio e o ressentimento surgiram na alma coletiva masculina por causa desta antiga história. Isso manifestou-se na opressão da energia feminina na área da política, mas também na área da religião, particularmente através da Igreja. A idéia de que a sexualidade é pecaminosa ou, no máximo, um mal necessário, é uma linha de pensamento masculina que foi influenciada pelo ódio e ressentimento, que resultaram da repressão masculina em uma outra era. Nessa época, a sexualidade masculina era considerada um instrumento de procriação, sem respeitar a parte sentimental do homem, nem os laços entre um pai e seus filhos. Freqüentemente os filhos eram criados pela mãe, separados do pai, e praticamente nenhuma atenção era dada ao que o pai pensava ou queria. Os valores importantes eram transmitidos pela figura da mãe, e a inferioridade dos homens era um desses valores. O homem era mais um “burro de carga” do que um parceiro em igualdade de condições.
Além da Igreja ser um baluarte da energia masculina frustrada, o mundo da ciência também apresenta hostilidade em relação à energia feminina. Embora a ciência e a religião sejam, em muitos aspectos, inimigos naturais, elas estão unidas na resistência ao aspecto intuitivo e fluente da energia feminina.
Os dogmas da Igreja são rígidos e sufocantes, mas os métodos científicos também são limitadores, de uma outra forma. Embora o ímpeto por trás da ciência moderna tenha sido esclarecedor e inovador (no desejo de destronar a falsa autoridade), ela ficou emperrada em um tipo mesquinho de pensamento racional, que não permite a participação da energia feminina. O pensamento científico é analítico e lógico, mas não se abre suficientemente para a imaginação e para as fontes extra-sensoriais (intuitivas) de observação. No entanto, a aversão que muitos cientistas sentem pelo “paranormal” e por tudo que não pode ser explicado racionalmente, em parte se deve a uma lembrança que a alma tem da dor e da humilhação, e que vem de um tempo em que as mulheres abusaram dos poderes psíquicos, utilizando-os contra eles como um instrumento de manipulação.
Estou falando desta história antiga porque Eu gostaria de deixar claro que, na “batalha dos sexos”, em última análise, não existem vilões nem vítimas, não existem “bonzinhos e malvados”, porque todos vocês foram ambos. Foi uma luta entre as energias masculina e feminina, na qual essas energias se tornaram opostas, embora originalmente elas fossem complementares uma à outra. Nos dias de hoje e nesta era, os homens e as mulheres estão sendo convidados a unirem suas forças outra vez e a re-encontrarem a alegria e a dignidade da dança original do feminino e masculino.
Essencialmente, a energia feminina guia e inspira, enquanto a energia masculina serve e protege. A energia feminina é a inspiração por trás de qualquer criação; o aspecto masculino cuida da manifestação na forma e na ação. Ambas as energias trabalham através de todo ser humano, através de todo indivíduo, seja ele masculino ou feminino. Não é realmente relevante se você é um homem ou uma mulher; o que conta é o equilíbrio e o relacionamento entre as duas energias dentro de você.
BLOQUEIOS NA SEXUALIDADE FEMININA
Agora Eu falarei sobre os bloqueios de energia na área da sexualidade, que se aplicam especificamente às mulheres e aos homens. Nas mulheres, a área dos dois primeiros chakras (do cóccix e do umbigo) foram as mais danificadas e feridas, como resultado da opressão e violência sexual de séculos. Durante um bom milênio, as mulheres estiveram enquadradas dentro de um papel de subserviência em quase todas as áreas da sociedade, e isto ainda acontece em muitos lugares da Terra. Em relação à sexualidade, essa desigualdade manifestou-se como rapto, estupro, agressão e humilhação em larga escala. Como resultado disto, muitas mulheres – na verdade, a alma feminina coletiva – sofreram incrivelmente. Existem profundas feridas emocionais, que precisam de tempo, amor e um extremo cuidado para serem curadas.
Freqüentemente, as mulheres sentem a atração pela união sexual como um desejo do coração, ou como um sentimento espiritual. Mas, durante a intimidade física, pode ser que elas não consigam expressar livremente a sua sexualidade, devido aos bloqueios de energia no primeiro e segundo chakras. Nesses centros, existem lembranças (da alma) da sexualidade que lhes foi impingida e que as humilhou. Essas experiências foram tão dolorosas, que a mulher retirou a sua energia e a sua consciência da área do abdome. E agora, quando essa área é tocada novamente de uma forma sexual, os músculos instintivamente se enrijecem ou o corpo emocional automaticamente sinaliza uma resistência. As células físicas estão conscientes do trauma e não aceitam tão facilmente o convite para dançar. Elas querem se fechar e criar uma barreira, para proteger a mulher contra mais agressão. Esta reação é totalmente compreensível e sempre se deveria lidar com ela da maneira mais respeitosa. O uso de qualquer tipo de força para tirar essa resistência é uma forma de violentar novamente esses centros feridos.
Se você, como mulher, tiver essas emoções, é muito importante tornar-se completamente consciente dela: pode haver raiva, resistência ou medo em relação à intimidade física. E todas essas emoções são mais antigas do que o relacionamento em que você está envolvida; inclusive mais antigas do que esta sua vida. Pode haver traumas muito antigos, nesses chakras inferiores, que causaram cicatrizes emocionais profundas.
Se você é uma daquelas mulheres que reconhecem essa dor, Eu gostaria de aconselhá-la a se familiarizar com suas vidas passadas, nas quais você foi o ofensor ou agressor (como o oposto da vítima). Ou, caso tenha dificuldade para acessar vidas passadas, a entrar em contato com a “energia da mulher agressiva e poderosa” que existe dentro de você. Isto pode parecer muito estranho, mas a razão é a seguinte: se você foi vítima de violência sexual, isto criou muita raiva no seu campo de energia. Pode haver raiva lá de muitas vidas passadas. Essa raiva bloqueia você e a mantém presa num sentimento de impotência e na sensação de ser uma vítima. Para liberar a raiva, você precisa do entendimento. Você precisa entender porquê e para quê; você precisa ver um quadro mais amplo da situação. Se você puder se imaginar como uma mulher poderosa, que poderia ser impiedosa e cruel com os homens, e sentir internamente que isto também é parte de você, então a raiva poderá se dissolver. Assim poderá surgir uma compreensão mais abrangente, um conhecimento interior de que você é parte de uma história cármica maior, na qual você desempenhou tanto o papel de agressor como o de vítima. É quase impossível liberar as suas emoções de dor e impotência e a sua sensação de ser uma vítima, sem olhar também para o seu outro lado, o “lado escuro”.
Você não precisa necessariamente voltar a vidas passadas para reconhecer essa parte escura dentro de si. Você também pode se tornar mais consciente dela, observando a si mesma no seu dia-a-dia. Quando você sentir essa energia (isto é, a vontade de exercer esse poder e ferir os outros), poderá perceber que você não tem sido apenas a vítima indefesa das circunstâncias externas. Existe um laço cármico entre o agressor e a vítima: ambos os papéis refletem aspectos de você mesma.
Assim que você reconhece e aceita o seu lado escuro, você pode olhar para as suas feridas internas de uma forma diferente, e pode começar a perdoar. Quando existe entendimento, a raiva pode se dissolver e você pode entrar em contato com a camada de emoções por baixo dela; a tristeza, o desgosto, a dor que existe em várias camadas, inclusive no próprio corpo físico.
É muito importante que as mulheres reconheçam o seu lado agressor e trabalhem com ele. Se existe ódio e ressentimento em você em relação à sexualidade, entenda que quanto mais ódio e raiva você sente, mais você se identifica com o papel de vitima e mais você sabota a sua liberdade. Tente perceber internamente que, na arena da sexualidade, está se desenrolando um jogo cármico, no qual você desempenhou os dois papéis – tanto o do “mocinho” quanto o do “bandido”. A partir daí, você poderá ir para o perdão: perdoar a si mesma e perdoar outra pessoa. As coisas acontecem por alguma razão. Atos de violência e repressão podem parecer sem sentido, mas sempre existe uma história por trás deles. E sempre que existe violência sexual envolvida, ela deixa marcas profundas em todos os quatro níveis do ser humano.



BLOQUEIOS NA ENERGIA MASCULINA
Quanto à experiência de sexualidade masculina, a maioria dos bloqueios que ocorrem estão no nível do coração ou da cabeça. Nesses níveis, pode haver um medo de se entregar, um medo da intimidade emocional profunda. Este medo é muito mais antigo do que vocês podem se lembrar. Ele está relacionado com a época em que as mulheres dominavam os homens. Isto fez com que o jogo da atração sexual, que inicialmente era inocente e espontâneo, se tornasse ameaçador. Os homens aprenderam que era perigoso mostrar suas emoções e abrir seu coração para suas parceiras.
Dentro dos homens, existem medos profundamente assentados, relacionados com a entrega ao seu lado sentimental, e esses medos não se manifestam necessariamente no nível físico. Os homens podem participar do ato sexual físico, enquanto mantêm seus sentimentos à parte. Ou seja, o homem pode estar sexualmente presente no nível físico, enquanto a sua natureza sentimental está (parcialmente) ausente. As suas emoções estão presas devido a esse medo de se abrir e se tornar vulnerável à rejeição mais uma vez. Sua alma conserva as antigas lembranças de quando ele foi abandonado e ferido emocionalmente.
PACIÊNCIA E AMOR
Geralmente, os bloqueios de energia são um pouco diferentes nos homens e nas mulheres. Portanto, é muito importante que o casal se comunique abertamente a respeito do que cada um sente e percebe quando estão juntos. Quando você realmente confia no seu parceiro (ou parceira), você pode investigar – sem sentir vergonha – onde a sua energia sexual fica bloqueada, quando vocês estão em intimidade. Você pode fazer isto, simplesmente observando até que ponto você se permite sentir e expressar o fluxo de excitação e intimidade, quando ele começar a surgir entre vocês. Perceba se você se sente preso ou bloqueado em alguma parte do seu corpo ou em algum ponto das suas emoções e sentimentos. Você sente um calor no seu coração quando vocês estão juntos? Você sente uma abertura espiritual em relação ao outro? Você está preparado para se relacionar com o outro, na totalidade dele?
Parece esquisito, mas vocês têm medo da intimidade verdadeira. Todos vocês desejam intensamente um relacionamento satisfatório. Nas ruas, todos os cartazes se referem a um relacionamento emocional e sexualmente gratificante. Mas a verdadeira intimidade assusta vocês. Quando alguém se aproxima demais e lhes é pedido que tirem suas máscaras, surgem vários tipos de inibição, das quais vocês não tinham consciência.
Nos momentos em que elas vêm à tona, tentem não julgar a si mesmos por causa disso. Ao contrário – vejam isso como uma oportunidade de pesquisar essas inibições e bloqueios que existem dentro de vocês.
Ninguém está livre deles. Praticamente todas as pessoas têm bloqueios que os impedem de experienciar a sexualidade no sentido completo que Eu descrevi no começo. É por isso que Eu quero pedir a todos vocês que olhem para o seu fluxo de energia sexual interno com amorosa consciência – quer vocês estejam sozinhos ou num relacionamento – e tratem os bloqueios que vocês encontrarem, com carinho e respeito. A força é o pior conselheiro nessas questões. Paciência e amor são vitais.
Mantenham vivo desejo de uma experiência sexual verdadeira e completa!
Vocês não precisam jogar fora a criança junto com a água do banho. O desejo é saudável. O caminho para uma experiência de sexualidade plena e feliz pode ser longo e tortuoso. Mas, durante o percurso, vocês farão crescer amor e compaixão por si mesmos e pelos outros, e isto é imensamente valioso no seu mundo humano.
Vocês estão curando uma antiga história de lutas entre o homem e a mulher. As energias masculina e feminina querem voltar a se unir e participar de uma dança de alegria e criatividade. Qualquer contribuição que vocês façam neste sentido, no nível individual, tem uma influência positiva na alma coletiva do homem e da mulher. O amor de vocês por si mesmos faz com que as energias de paciência e amor se tornem disponíveis para os outros.

© Pamela Kribbe 2005
http://www.jeshua.net/














SEXUALIDADE E ESPIRITUALIDADE





A sexualidade é a dança conjunta das energias masculina e femenina.
Originalmente, a sexualidade é mais do que um acto físico.
Ela deveria ser uma dança na qual todos os níveis ou aspectos do casal participassem.
A sexualidade tem sido carregada com muitos julgamentos, medos e emoções. Praticamente não existe mais nenhum aspecto dela que seja espontâneo e auto-evidente. Isto é o mesmo que dizer que o aspecto inocente da sexualidade, o aspecto da criança inocente que explora livremente, se perdeu. Vocês ficam cheios de medo e tensão, quando se trata de expressarem-se sexualmente.
Eu gostaria de falar um pouco sobre o que a sexualidade significa do ponto de vista espiritual.

QUATRO ASPECTOS DA EXPERIÊNCIA SEXUAL
Primeiro, há o nível físico, o aspecto do corpo físico.
O corpo é inocente. O corpo conhece o desejo sexual e a sensualidade – isto é algo que está presente espontaneamente dentro do corpo. O corpo busca a satisfação dos seus desejos, e é o ser humano, ou a consciência da alma no ser humano, que determina o modo como o desejo sexual se aplica e se manifesta. Mais uma vez, o corpo é inocente. Ele conhece sensualidade e desejo. Não há nada de errado nisso. Isso pode ser uma fonte de divertimento, alegria e prazer. Mas o corpo, por si só, não pode escolher de que forma ele vai expressar a sua energia sexual. É você – o ser humano – que está a cargo disso, e o corpo precisa do seu comando.
Quando você quer experienciar a sexualidade da forma mais amorosa, o ponto de comando reside no coração. Quando você deixa que o seu coração se encarregue da sua energia sexual, ele encontra a sua expressão mais prazerosa.
A outra alternativa é deixar os seus pensamentos (julgamentos) ou as suas emoções governarem o fluxo sexual, e você vai ver que isto causa vários bloqueios na sua energia.
O segundo aspecto da dança sexual que eu gostaria de distinguir é o nível emocional. A união sexual é um ato profundamente emocional. Se você ignora este aspecto, você não está completamente presente no ato e você se fecha para o verdadeiro significado da sexualidade

As poderosas emoções de medo, raiva e tristeza podem tirá-los do seu centro. Quando qualquer uma destas emoções poderosas está em ação num relacionamento entre duas pessoas e não é reconhecida e definida conscientemente, ela virá à tona quando estas pessoas estiverem intimamente unidas. Essas emoções podem causar reações psicológicas de resistência ou fechamento, quando elas estiverem em intimidade física, ou o corpo delas pode ficar incapacitado de sentir prazer ou excitação.
Sempre que existem esse bloqueios psicológicos ou físicos, é importante lidar com eles no nível em que eles se originaram: o nível emocional. Quando você tenta eliminar os sintomas físicos sem olhar para a dinâmica emocional por trás deles, você está desrespeitando a si mesmo e o seu corpo. Quando o corpo resiste à intimidade, ele lhe envia uma mensagem, pura e clara, de que existe um bloqueio emocional. Isso pode ser devido a um problema entre você e seu parceiro(a), ou pode ser uma ferida emocional que você traz consigo de uma vida passada. O que quer que seja, isso precisa ser definido e cuidado de uma forma gentil e amorosa, antes que a energia sexual possa fluir livremente.
Depois do nível emocional, vem o nível do coração, que é a sede do sentimento.

Os sentimentos pertencem ao domínio da intuição e conhecimento interior. O seu lado sentimental fala com você através de sussurros silenciosos, repletos de sabedoria e compaixão. As emoções são de natureza mais dramática e nós as chamamos de “reações de mal-entendimento”, porque isso é o que elas são em essência: explosões de não entender o que está acontecendo com você.
Quando o coração se abre entre os parceiros sexuais, existe confiança, amor e segurança entre eles. Quando o coração está presente num encontro sexual, ambos permitem que a intuição observe o que está acontecendo entre eles quando eles estão em intimidade física. Os parceiros não escondem suas emoções, eles falam abertamente sobre elas. Antigas dores podem vir à tona e são aceitas como tal. Cada um é aceito como é e esse tipo de aceitação é o maior poder curativo que existe. Quando você conecta a energia do seu coração com a sua energia sexual, pode haver uma grande cura numa área que está muito necessitada disso.
Entretanto, o coração também pode sutilmente impedi-lo de experienciar a sexualidade numa forma alegre e amorosa. O coração pode ter se fechado para o prazer da sexualidade por diferentes razões.
Primeiro, pode haver um desejo no coração de se elevar acima da realidade física da Terra. Segundo, pode haver dogmas religiosos em ação para impedir o coração de se abrir para o que a sexualidade realmente é.

Falarei dessas duas questões agora.
O coração pode ter uma forte inclinação a se elevar acima do plano denso da realidade material. É uma espécie de saudade. Pode haver um desejo de unidade ali, que absolutamente não está voltado à união sexual, mas traz consigo uma sutil rejeição ao reino terrestre (e à sexualidade também).
Muitos de vocês conhecem o desejo de transcender a realidade. Muitos de vocês se lembram da energia de amor e harmonia que vocês experienciaram nos reinos não-materiais, antes de encarnarem na Terra. Seu coração chora pela tranqüilidade e suavidade dessa vibração. Vocês tentam beber dessa energia, quando vocês meditam. Geralmente os chakras superiores (do coração, da garganta, terceiro olho e chakra da coroa) são ativados dessa maneira. Eles se abrem, enquanto os chakras inferiores (plexo solar, umbigo e cóccix), que são mais vitais para o seu eu terreno, são mais ou menos abandonados.
Isso também acontece, de uma forma menos natural, quando se tomam drogas. Quando uma pessoa toma uma substância para expandir a mente, seus chakras superiores são escancarados artificialmente e ela pode experimentar um êxtase e bem-aventurança temporários, que a faz esquecer-se dos aspectos densos e pesados da realidade terrena.
Embora o desejo e a ânsia de transcender seja compreensível, é importante fazer as pazes com a realidade terrena. Do contrário você cria uma separação artificial entre as partes superior e inferior do seu campo energético. Você dá preferência a estar com a sua consciência na parte superior da sua aura, e faz crescer uma resistência sutil ou aberta à realidade do corpo, às emoções e à sexualidade. Isso cria um desequilíbrio no seu campo energético.
Quando você estiver com essa saudade, tente perceber a razão e o propósito de você estar na Terra neste momento. Seu motivo para estar aqui não é transcender a Terra, mas trazer o Lar aqui para baixo, para a Terra. Esta é uma jornada sagrada.
A segunda razão para o coração se intimidar diante da sexualidade são os dogmas religiosos, geralmente de vidas passadas. Você pode ter tido vidas nas quais fez votos de castidade ou nas quais lhe ensinaram a sentir vergonha ou culpa a respeito do prazeres do corpo e da sexualidade. Estas energias ainda podem estar presentes no seu coração. Por causa disso, você pode ter julgamentos negativos ou uma sutil resistência à intimidade física. Estes julgamentos e sentimentos não se fundamentam na verdade. Mais uma vez, Eu quero dizer que o corpo em si é inocente. Prazer, desejo e simplesmente todos os processos físicos que os fazem ansiar pela união sexual, são processos naturais e saudáveis. Os desequilíbrios que ocorrem na área da sexualidade são quase sempre devidos a níveis não-físicos, dos quais Eu acabo de descrever dois. O quarto e último nível é o aspecto da mente.

No nível da mente, pode haver crenças morais ou espirituais que o impedem de aproveitar a sexualidade. A maioria dessas crenças é de natureza religiosa.
No nível espiritual, você pode sentir que o corpo físico é uma espécie de prisão. Essa realidade não-física dos “reinos mais elevados” (como vocês o chamam, não Eu) é tão valorizada, que a realidade é menosprezada. Isto acontece freqüentemente entre os Trabalhadores da Luz. Especialmente entre eles, freqüentemente há uma resistência ao prazer e alegria que a sexualidade pode oferecer. Isto vem, em parte, das crenças religiosas e morais, e em parte da simples inexperiência neste aspecto da vida. Muitos Trabalhadores da Luz passaram muitas vidas como padres, freiras, ou em papéis similares, afastados da comunidade, sem um parceiro(a) nem uma família. Eles se concentraram tanto na espiritualidade, que a área da sexualidade foi negligenciada. Assim, no nível mental ou espiritual, pode inclusive haver uma falta de hábito que os impede de explorar a energia sexual.
Geralmente as pessoas religiosas têm uma falta de respeito pelo corpo na sua expressão natural. Isto é verdadeiramente lamentável, pois, do nosso lado, a expressão na matéria é vista como o caminho mais sagrado que a alma pode tomar. Semear e ceifar as sementes da sua dignidade tão longe de casa, na realidade da forma, é uma incumbência sagrada. É um ato divino, criativo, da mais alta ordem.
Talvez, em algum momento, você tenha presenciado a morte de alguém ou testemunhado o nascimento de uma criança. Nesses momentos, as almas entram ou abandonam a dança com a matéria. Esses dois instantes são cercados de uma atmosfera de sacralidade. Pode-se sentir isso como um silêncio profundo, envolvente, repleto de honra, que anuncia a vinda ou a partida de uma alma. Portanto, do nosso lado do véu, existe o mais profundo respeito pelo que vocês fazem nesses momentos. A dança com a matéria é sagrada. E vocês a detestam, tão freqüentemente!
A sexualidade, no seu verdadeiro sentido, é a dança na matéria que, ao mesmo tempo, se eleva sobre a matéria. Em uma manifestação sexual equilibrada, vocês transcendem a realidade material, sem ignorar ou reprimi-la, sem abandonar os três chakras inferiores e buscando o êxtase através dos seus chakras superiores. A sexualidade completa integra todos os níveis do seu ser. A sexualidade faz o papel de ponte sobre o abismo entre a matéria e o espírito.
Quando duas pessoas estão em intimidade física de uma forma amorosa, todas as células dos seus corpos vibram um pouco mais rápido… elas começam a dançar um pouco. Abre-se um portal para uma realidade energética de uma vibração ligeiramente mais alta e para um sentimento mais suave. Depois de uma relação sexual em que participa a totalidade do seu ser e a do seu parceiro(a) – corpo, mente e alma – vocês se sentem em paz e felizes ao mesmo tempo. Há um êxtase silencioso. As células dos seus corpo experimentaram a energia do amor e, nesse momento, trouxeram a realidade do Amor para mais perto de vocês. Vocês canalizaram a energia divina do Amor que deseja tão carinhosamente fluir através de vocês e que tem simplesmente o maior respeito pela sua natureza sexual.
Quando a energia de todos os quatro níveis fluem juntas durante uma relação sexual, esta é um ato de criação divina. É simplesmente natural que crianças nasçam de um ato desses. Quando a dança do masculino e feminino é realizada desse modo tão prazeroso, ela só pode gerar coisas boas e agradáveis. Quando uma criança é concebida deste modo, ela entra no reino terreno através de um escorregador de amor e luz. Esta é a acolhida mais amorosa que uma alma pode ter na Terra.
Pelo fato da energia sexual ser tão preciosa, nós lhes pedimos: por favor lidem respeitosamente com a sua sexualidade. Quando houver problemas, medos ou tensões ao redor dela, não julguem a sexualidade em si mesma, nem desistam dela, pois ela é uma parte natural de vocês, e uma parte sagrada.
(Jeshua canalizado por Pamela Kribbe)
© Pamela Kribbe 2005 http://www.jeshua.net/










sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O ANSEIO




Não finjas que o Anseio também não viveu em Ti,


balouçando, como um pêndulo.


Estiveste perdido, e roubaste como um criminoso


o Teu Coração na escuridão.



Mas a vida está cansada, Grande Amigo,


de continuar sem Ti.


É como a mão da mãe que perdeu o filho.


E se és como eu, tiveste medo.


E se és como eu nalguma coisa, conheceste a tua própria coragem.


Há lugar neste barco:


Toma o Teu lugar.


Pega no Teu remo, e todos nós


- Todos Nós-


remaremos para levar Nossos corações


de regresso a Casa...



(Em Claire)

sexta-feira, 25 de março de 2011

DESPERTAR


“Há três tipos de pessoas no mundo, aquelas que estão a dormir, aquelas que estão em agitação e aquelas que estão despertos.

Se tentar acordar a pessoa que está a dormir, ela apenas resmungará e voltará a dormir. Se tentar acordar a pessoa que está agitada ela acordará apenas o tempo suficiente para vos maldizer e, de seguida, voltará a dormir.

Em vez de os tentar acordar, se se deparar com alguém que está a dormir ou em agitação o que deve fazer é afofar a sua almofada, aconchegá-lo e beijá-lo na testa.

A alegria importante para os que estão despertos é procurarem-se mutuamente, conectarem-se com outros que estão despertos, conversar, cantar e celebrar juntos. Isto irá criar um engrandecimento da consciência. Á medida que este engrandecimento aumenta e se espalha, irá despertar os agitados e começará a mexer nos que ainda estão a dormir.”

Buckminster Fuller