
Muita coragem foi necessária para chegar até aqui...
Quantos tropeços, quantos recuos, quantos medos...
Fui traída quando era ainda inocente, enganada quando era ingénua,
Abandonada quando mais precisava de um abrigo.
Todas as experiências que tive relacionadas com o amor,
Pareciam destinadas ao fracasso, a sucessivas separações.
A impotência que senti nesses momentos que pareciam eternos,
Deixavam marcas profundas á sua passagem, e a pouco e pouco,
Fui construindo uma muralha á volta do meu coração.
Fiz juras de que nunca mais iria sofrer por causa do tal do amor.
Nunca mais iria cair na armadilha de me entregar assim.
Para não sofrer...
Aos vinte e cinco anos decidi selar o pacto que tinha feito com algo permanente.
Fiz uma tatuagem nas costas com um coração atravessado por uma foice.
Passei horas na loja á procura do desenho, e de repente...
Encontrei. Escolhi-o em tons de amarelo e azul turquesa.
Nada de vermelhos, pensei eu.
Já sangrei o suficiente.
O coração já basta para que percebam que se trata de amor, ainda que ferido...
Mas por ironia do destino, o tatuador achou que ficava melhor de vermelho,
Afinal, eu era uma menina...
E os corações são todos vermelhos...
Como estava de costas, só consegui ver o resultado quando já não havia nada a fazer.
Não liguei... afinal, o pior já tinha passado.
Tanto medo que doesse, e não dei um ai sequer...
Mais um acto de coragem...
Ao fim de seis meses, o coração começou a inchar, a ficar em relevo.
Após uma consulta no hospital, o diagnóstico não deixava margem para dúvidas...
A menina tinha feito alergia á tinta vermelha!
Mas que coisa, pensei eu...
Que mania que os homens têm de não dar importância aos meus desejos!
E assim começou uma odisseia que durou cerca de um ano.
Sempre a voltar ao tal hospital, a levar injecções em cada ponto da tatuagem.
E doeu...
Mas nem um ai saiu da minha boca.
Tive a sorte de ser atendida por uma médica fabulosa.
Daquelas raras, que te olham nos olhos, que se ocupam de ti. Mesmo...
E sem me dar conta, lá estava o amor a querer entrar sem que eu tivesse a coragem de o mandar embora.
Na última consulta, fui-me embora agradecida, de fugida, para que ela não notasse a lágrimas que teimavam sair dos meus olhos.
Esses espelhos da alma, que sempre me traíram quando me quero enganar...
Tantas coisas aconteceram desde então...
Tenho alturas em que o meu coração está encolhido como uma mola,
Noutras, está tão dorido que nem consigo sair á rua.
Mas essas alturas são cada vez mais raras.
Porque percebi que nessas alturas, estou enganada que é tudo mentira.
O meu coração é incomensuravél, e cabe lá tudo e cabem lá todos.
Não importa se vou rir, se vou chorar, se vou bater com a cabeça nas paredes,
Se perco ou se ganho.
O que importa, é que percebi que aconteça o que acontecer, eu fui feita para amar.
O que importa, é que aconteça o que acontecer, eu estou aqui para amparar as minhas quedas e celebrar as minhas vitórias .
É preciso coragem, e eu tenho-a de sobra.
Eu sou uma guerreira da luz.
E todo o guerreiro da luz sabe...
Que ser corajoso, é saber que o medo não oferece resistência ao amor.
Por isso eu amo...
Corajosamente!
Este post é dedicado ao meu amigo Amaral, que me deu o amor necessário para que a coragem viesse á tona.Um bem haja para ti...